Incêndio na Serra da Estrela faz 11 feridos e mobiliza mais de 1500 operacionais

Mais de 1500 bombeiros, auxiliados por 14 aeronaves, combatem fogo que deflagrou no sábado.

O incêndio que deflagrou na Covilhã e que lavra na Serra da Estrela causou 11 feridos sem gravidade entre os operacionais, adiantou o segundo comandante nacional da Proteção Civil, Miguel Cruz, no balanço feito ao final da manhã desta quinta-feira.

O responsável acrescentou que o fogo, que começou na madrugada de sábado na Covilhã e que entretanto se alastrou para a zona da Serra da Estrela, continua ativo, "apesar de ter tido "uma evolução favorável face ao que sucedeu no dia anterior, fruto do trabalho desenvolvido essencialmente durante a noite", altura em que os bombeiros conseguiram aproveitar a janela de oportunidade de redução da temperatura, da humidade e da intensidade do vento.

Apesar disso, há ainda "algumas preocupações" na zona que as autoridades designam como o triângulo posicionado entre Manteigas, Vale da Amoreira e Folgosinho, no concelho de Gouveia. O combate, vincou Miguel Cruz, vai incidir nestas três áreas com maior intensidade, onde se mantêm ativas algumas frentes.

"Vamos ter uma tarde contínua de trabalho, considerando a subida natural da temperatura e a redução da humidade relativa, estando ainda o perímetro com vastas áreas muito quentes, naturalmente irão surgir situações de alguma preocupação que temos que debelar rapidamente e estamos preparados para o fazer", disse.

Além dos 11 feridos, o responsável indicou ainda que 26 pessoas foram deslocadas, mas já regressaram às suas casas. O fogo causou ainda danos em dois veículos e em duas casas, que não eram de primeira habitação.

A combater este incêndio estão 1500 operacionais, cerca de 400 viaturas e 14 aeronaves. Os meios estão empenhados em consolidar frentes que "estão posicionadas em vertentes muito difíceis de trabalho". "Vamos continuar a trabalhar afincadamente" nessa zona, reforçou o responsável, assinalando que o combate vai ser feito tendo também em conta a evolução da situação meteorológica e as "oportunidades" que daí decorram.

Miguel Cruz quis também deixar "uma palavra à população" dos quatro municípios afetados pelo incêndio, a quem elogiou a "resiliência" e a "serenidade" com que lidou com o fogo.

Revisão e falhas explicam ausência de Canadair

Já sobre os Canadair que estiveram inoperacionais na quarta-feira, o responsável disse que um esteve parado por avaria mecânica e os outros dois devido a uma inspeção por causa das horas de voo.​

"Tivemos efetivamente ontem [quarta-feira] uma inoperatividade destas duas aeronaves, sendo que o que está consagrado contratualmente é que a terceira aeronave substitui uma delas. Naturalmente temos que contar que as máquinas também falham e também tem que ter processos de revisão. Foi o que aconteceu com esta terceira aeronave, que teve um processo de revisão de 50 horas de voo. É algo que tem que forçosamente acontecer", sustentou.

O segundo-comandante nacional sublinhou ainda que existe um conjunto de outros meios aéreos que complementam o trabalho dos Canadair e que estão no teatro de operações.

Miguel Cruz acrescentou que é preciso ter em conta que "as máquinas também falham" e que têm de ser feitos processos de revisão."Houve apenas aqui o infortúnio de ter coincidido também com a situação de inoperatividade de uma destas aeronaves", disse.

O responsável adiantou que a situação está "em vias de resolução" e garantiu também que não é o facto de estarem dois Canadair temporariamente inoperacionais que vai criar uma "situação mais complicada".

Já sobre o número de operacionais no terreno (cerca de 1.500), Miguel Cruz disse que não é normal ter um número tão significativo.

"Normalmente não costumamos ter. Penso que já terá havido outros [números de operacionais] idênticos ou até superiores", salientou.

Quanto à área ardida até ao momento, que se estima em cerca de 10 mil hectares até quarta-feira, Miguel Cruz salientou que é um "valor provisório", e que será confirmado pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Para já, o segundo-comandante nacional da ANEPC não prevê a desmobilização de meios do teatro de operações.

"Não vai haver desmobilizações de operacionais. O dispositivo instalado será o adequado. Pode haver alguns ajustes", concluiu.

À TSF, o presidente da Câmara da Guarda acusou o Governo de abrir os cordões à bolsa para levar bancos da falência, mas não vê a mesma mobilização para salvar o património natural da Serra da Estrela. Sérgio Costa lembrou que o Estado também tem as suas obrigações para com as áreas florestais.

O autarca da Guarda também referiu que o que o cenário que sobra é uma autêntica tragédia, criticando a descoordenação que tem sido um obstáculo no combate ao fogo.

*Notícia atualizada às 16h42

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de