Incêndios fizeram prejuízos de sete milhões de euros em Proença-a-Nova

Estimativa ainda não é definitiva e os técnicos da autarquia mantêm-se no terreno a proceder ao levantamento de todos os estragos causados pelo fogo que depois alastrou a Oleiros e Castelo Branco.

A Câmara de Proença-a-Nova estima que os prejuízos causados pelo incêndio que deflagrou no dia 13 no concelho ultrapassem os sete milhões de euros, entre danos florestais, ambientais e agrícolas, bem como infraestruturas e recursos hídricos.

Em comunicado enviado à agência Lusa, aquele município do distrito de Castelo Branco explica que o valor ainda é provisório e que os técnicos da autarquia se mantêm no terreno a proceder ao levantamento de todos os estragos causados pelo fogo que depois alastrou a Oleiros e Castelo Branco e que demorou vários dias a ser extinto.

Citado na nota de imprensa, o presidente da Câmara de Proença-a-Nova, João Lobo, salienta que já reivindicou junto do ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, a necessidade de o Governo, através do Ministério da Agricultura, abrir um aviso específico de apoio para os pequenos agricultores, que perderam uma importante fonte de rendimento.

"São cerca de três mil hectares, de um pinhal, que era de regeneração natural desde um incêndio em 2003. É uma floresta com 17 anos, e estimamos que o valor que poderia ser extraído dessa madeira seria à volta dos quatro milhões e meio ou cinco milhões de euros." De acordo com João Lobo, que prestou declarações à TSF, também se estimam, por influência do fogo nas infraestruturas, via pública e sinalização, perdas de 300 mil euros, e, na parte agrícola, prejuízos de 250 ou 300 mil euros. Relativamente ao impacto nos recursos hídricos, haverá uma perda de um milhão de euros, elenca ainda João Lobo.

Fernando Jorge, autarca de Oleiros, conta à TSF que "está a ser feito um levantamento, com três equipas no terreno, para determinar, junto das pessoas, os prejuízos agrícolas". Quanto à madeira ardida, há já a perceção de perda de "várias dezenas de milhões de euros".

Salientando a extrema violência do incêndio que terá destruído 16 mil hectares, João Lobo também defende a urgência de se tomarem medidas que ajudem "a resolver um problema estrutural que se criou e tem vindo a agravar nas últimas oito décadas".

"Não podemos voltar com as mesmas soluções e esperar resultados diferentes. Temos de ter soluções diferentes", aponta o autarca, citado na nota de imprensa.

Segundo defende, é necessário definir uma gestão profissionalizada da floresta: "As políticas públicas só se exercem em terreno público. Não defendo que nacionalizemos os territórios, pois os privados continuarão a ser proprietários, mas vão ter que perder a capacidade de gestão quando não contribuem para uma floresta ordenada e segura."

O autarca afirma, igualmente, que "só a existência de áreas limpas e geridas pode refrear o avanço das chamas em situações como as que se viveram neste incêndio", pelo que aguarda com "expectativa" a implementação de algumas medidas recentemente aprovadas sobre esta matéria, nomeadamente as áreas de gestão de integração da paisagem, de que Proença-a-Nova faz parte do projeto-piloto, ou o arrendamento forçado quando os proprietários não limpam e não gerem os seus terrenos dentro das áreas que tiverem planos de gestão eficazes.

João Lobo considera ainda que a obrigatoriedade de limpeza das faixas de gestão de combustível junto dos aglomerados florestais pode ter feito a diferença em algumas aldeias neste incêndio, nomeadamente Fórneas e Dáspera.

"Na gestão de combustível junto aos aglomerados, Proença-a-Nova é um exemplo", salienta, destacando o "papel essencial dos habitantes das localidades na defesa do seu património, feito sem o auxílio inicial dos bombeiros, só possível porque a gestão de combustível estava feita".

Sublinhando ainda a importância do trabalho dos bombeiros, reitera que também são precisas mudanças na vertente do combate aos incêndios.

"Precisamos organizar as forças que temos no território e que fora da época dos incêndios exerçam outras funções na defesa da floresta", apontou.

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