Incidência da Covid-19 em Portugal muito elevada mas sem tendência crescente

A Direção-Geral da Saúde e o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge recomendam o reforço das medidas de proteção individual.

A Covid-19 mantém em Portugal uma incidência muito elevada mas já sem tendência crescente como nas últimas semanas, indica o relatório semanal sobre a evolução da doença, que recomenda o reforço das medidas de proteção individual.

No documento da Direção-Geral da Saúde (DGS) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), hoje divulgado, duas frases resumem a situação atual da Covid-19 no país: "transmissibilidade muito elevada com tendência decrescente" e "gravidade e impacto reduzidos com tendência crescente".

Além da "inversão da tendência crescente" da incidência as autoridades de saúde notam que também os internamentos "apresentam um abrandamento da tendência crescente". Mas salientam também que a mortalidade específica por Covid-19 "mantém uma tendência crescente", e acrescentam que o impacto na mortalidade geral se mantém reduzido.

"A mortalidade específica por Covid-19 (50,1 óbitos em 14 dias por 1.000.000 habitantes) apresenta uma tendência crescente. A mortalidade por todas as causas encontra-se acima do esperado para a época do ano, indicando um excesso de mortalidade por todas as causas, embora de reduzida magnitude, associado ao aumento da mortalidade específica por Covid-19", lê-se no relatório.

O valor de 50,1 mortos em 14 dias por milhão de habitantes é superior em mais do dobro ao limiar de 20 óbitos em 14 dias, definido pelo Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC) para este indicador, como indica o documento.

Face aos valores da última semana DGS e INSA recomendam que se mantenha a vigilância da situação epidemiológica, e recomendam também "o reforço das medidas de proteção individual e a vacinação de reforço, e aposta na consciencialização da população".

Na análise hoje divulgada as autoridades lembram que a 18 de maio passaram a ser contabilizadas as suspeitas de reinfeção, fazendo-se a atualização retrospetiva dos casos acumulados desde o início da pandemia, pelo que os indicadores do relatório refletem essa atualização.

Os últimos dados indicam que o número de novos casos de infeção por SARS-CoV-2 por 100.000 habitantes, acumulado nos últimos sete dias, foi de 1.539 casos, com tendência decrescente a nível nacional.

Exceções para as regiões de Lisboa e Vale do Tejo e Madeira, que apresentam uma tendência crescente.

Segundo o documento, o índice de transmissibilidade (Rt) do vírus que provoca a Covid-19 apresenta um valor inferior a 01 a nível nacional (0,98), tendo descido, em relação aos números do relatório anterior, nas regiões Norte, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e Açores, e tendo subido no Centro e na Madeira.

Quanto ao número de pessoas internadas com Covid-19 em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) no continente "revelou uma tendência crescente a estável, correspondendo a 42,4% (no período anterior em análise foi de 42,0%) do valor crítico definido de 255 camas ocupadas".

As autoridades de saúde notam também que a razão entre o número de pessoas internadas e infetadas foi de 0,10 com tendência estável, o que indica uma menor gravidade da infeção, o que vem sendo observado desde o início deste ano.

Continua a ser "claramente dominante em Portugal" a linhagem BA.5 da variante Ómicron, que tem uma maior capacidade de transmissão.

Entre 03 de março de 2020 e 06 de junho de 2022 foram registados 4.872.825 episódios de infeção por SARS-CoV-2. Destes, 273.071 são episódios de suspeitas de reinfeção, o que perfaz 5,6% do total de casos, dizem DGS e INSA no relatório.

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