Infarmed aprovou Kaftrio para tratamento da fibrose quística

Este medicamento ficou conhecido em Portugal depois do apelo para que fosse aprovado lançado pela jovem Constança Bradell, que sofria de fibrose quística e morreu no passado dia 11 de julho, aos 24 anos.

O medicamento Kaftrio e uma nova indicação terapêutica do fármaco Orkambi foram aprovados para utilização nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde no tratamento da fibrose quística, anunciou o Infarmed. Em comunicado, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde explica que o medicamento Kaftrio foi aprovado para utilização, num determinado regime terapêutico, em doentes de idade igual ou superior a 12 anos.

Este medicamento ficou conhecido em Portugal depois do apelo para que fosse aprovado lançado pela jovem Constança Bradell, que sofria de fibrose quística e morreu no passado dia 11 de julho, aos 24 anos.

Quanto ao medicamento Orkambi, está aprovado para tratamento da fibrose quística em crianças com idades entre dois e 11 anos.

"O financiamento para utilização destes medicamentos no Serviço Nacional de Saúde é regido por um contrato entre a empresa titular do medicamento e o INFARMED - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, IP, autorizado pelo secretário de Estado da Saúde", acrescenta a nota.

Até aqui, existiam em Portugal três medicamentos moduladores aprovados para a fibrose quística, uma doença crónica, hereditária, causada por alterações no gene CFTR.

Associação Portuguesa de Fibrose Quística quer uso alargado para outras mutações da doença

O presidente Associação Portuguesa de Fibrose Quística, Herculano Rocha, lamenta que Portugal tenha demorado 11 meses a aprovar o uso do medicamento, mas aplaude o avanço.

Em declarações à TSF, Herculano Rocha fala numa "boa notícia para muitos doentes".

"Aquilo que nós sempre defendemos é que o medicamento deve ser usado precocemente para impedir o agravamento da função pulmonar e para impedir que hajam alterações irreversíveis", explica. "Até aqui, este medicamento só podia ser utilizado para os que estavam mal, numa situação terminal. Neste momento, pode ser utilizado para todos os doentes que têm esta mutação e para impedir a sua degradação."

A Associação Portuguesa de Fibrose Quística pede agora ao Infarmed que aprove rapidamente o uso de Kaftrio também para outras mutações da doença.

"Continuamos a estar atrasados em relação à Europa, porque a Europa já deu mais um passo, já tem mais mutações a serem utilizadas. E aqui, o Infarmed ainda está a começar a estudar o processo, e vai tornar a fazer as mesmas coisas que fez atrás para estudar um medicamento que já está estudado pela FDA (Food and Drug Administration) - o regulador americano -, pelo regulador europeu, pelo Infarmed,...", enumera Herculano Rocha.

"[O Infarmed] vai repetir todos os processos, enquanto isto devia ser uma situação que não fosse burocratizada e que fosse rapidamente aprovada para alargar [o uso do medicamento] a mais doentes", defende.

Notícia atualizada às 12h29

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