Início, missão e Covid-19. O que precisa de saber sobre o programa vencedor do Nobel da Paz
Nobel da Paz

Início, missão e Covid-19. O que precisa de saber sobre o programa vencedor do Nobel da Paz

O Prémio Nobel da Paz de 2020 foi atribuído, esta sexta-feira, ao Programa Alimentar Mundial da Organização das Nações Unidas (ONU), que oferece assistência alimentar em emergências, desde guerras a conflitos civis, desastres naturais e fome. A AFP fez uma lista de cinco factos que ajudam a perceber como tudo começou e qual a missão deste organismo.

O início

O Programa Alimentar Mundial foi criado em 1962 a pedido do presidente dos Estados Unidos, Dwight Eisenhower, como uma forma de testar a capacidade da ONU para fornecer ajuda alimentar, adianta a AFP.

Alguns meses depois de o programa ser criado, um sismo atingiu o norte do Irão, provocando a morte de 12 mil pessoas. A ONU enviou aos sobreviventes 1500 toneladas métricas de trigo, 270 toneladas de açúcar e 27 toneladas de chá.

Mais tarde, o programa apoiou as vítimas de um tufão na Tailândia e os refugiados de guerra na Argélia.

Em 1963 nasceu o primeiro projeto de apoio a refeições escolares do Programa Alimentar Mundial e em 1965, a agência tornou-se um programa da ONU de pleno direito. Em 2019, o programa deu resposta a 97 milhões de pessoas em 88 países.

A missão

O programa concentra-se na assistência de emergência, bem como na reabilitação e na ajuda ao desenvolvimento, sendo que dois terços do trabalho do organismo são realizados em países afetados por conflitos.

O financiamento do programa baseia-se em doações voluntários, a maioria de Governos. Em 2019, foram arrecadados oito mil milhões de dólares (cerca de 6 mil e 700 milhões de euros) que permitiram fornecer 4,2 milhões de toneladas métricas de alimentos e 2,1 mil milhões de dólares (1,78 mil milhões de euros) em dinheiro e vouchers.

Onde é prestada ajuda?

A assistência do Programa Alimentar Mundial esta espalhada por todo o mundo. A agência esteve presente no oeste do Sahel (uma faixa que entre o deserto do Saara e a savana do Sudão) na década de 1970, aquando da seca.

Foram entregues também dois milhões de toneladas de alimentos durante a fome de 1984 na Etiópia e o programa esteve ainda presente no Sudão, Ruanda, Kosovo e na Ásia depois do tsunami de 2004 e prestou assistência no Haiti em 2010 na sequência do terramoto.

Na República Democrática do Congo (RDC), que sofre a segunda maior crise de fome do mundo, foi dada resposta a 6,9 milhões de pessoas em 2019. Na Síria foram assistidas 4,5 milhões de pessoas.

A maior resposta de emergência do programa foi no Iémen, onde a agência tenta dar resposta a 13 milhões de pessoas por mês.

O Programa Alimentar Mundial tem mais de 17 mil funcionários, dos quais 90% estão localizados nos países onde a agência oferece assistência.

A fome no mundo

A AFP adianta ainda que a fome crónica atinge mais de 821 milhões de pessoas no mundo, enquanto outros 135 milhões enfrentam fome severa ou inanição. Até ao final de 2020, a fome pode atingir mais 130 milhões de pessoas, devido à pandemia.

O novo coronavírus

O Programa Alimentar Mundial teve um papel fundamental durante a pandemia da Covid-19 ao disponibilizar meios, como ligações aéreas de passageiros e carga e serviços de evacuação médica para permitir um fluxo constante de carga e trabalhadores para a linha de frente da pandemia.

No contexto da pandemia, a América Latina viu um aumento de quase três vezes no número de pessoas que precisam de assistência alimentar, bem como na África Ocidental, Central e Meridional.

O diretor-executivo do programa David Beasley sustenta que, neste momento, "enfrentamos não apenas uma pandemia de saúde global, mas também uma catástrofe humanitária global".

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