Insatisfeitos e preocupados. Como a pandemia alterou o bem-estar dos portugueses?

Pandemia trocou as voltas às autoavaliações do estilo de vida em Portugal: satisfeitos a descer, insatisfeitos a subir. Sondagem Aximage para TSF e JN mostra que esmagadora maioria dos portugueses estão preocupados com os efeitos da pandemia, com foco especial na economia e no emprego.

92%. O número é elevado e não deixa margem para dúvidas: os portugueses estão bastante preocupados com os efeitos da pandemia, não só em Portugal, mas em todo o mundo. A conclusão é de um estudo da Aximage para a TSF e para o JN que revela ainda que a perceção de bem-estar dos portugueses se deteriorou com a chegada do novo coronavírus.

Entre muito preocupados e bastante preocupados estão mais de 9 em cada 10 portugueses e quando olhamos para as faixas etárias, percebemos que são sobretudo os mais velhos, acima de 65 anos, a expressar essa preocupação. E se há uma apreensão transversal à saúde e economia com 35% dos inquiridos a não conseguir priorizar um outro campo, outros 31% estão sobretudo com receio dos efeitos da pandemia na economia e no emprego. As percentagens vão descendo depois quando se fala em saúde e bem-estar emocional (21%) e a saúde física (12%).

No caso dos efeitos sobre a economia e sobre o emprego, são aqueles que estão no início da vida ativa que expressam uma maior preocupação, visto que a partir dos 35 anos e até aos 49 está a faixa daqueles que não conseguem priorizar: estão preocupados com tudo por igual.

"Doutor, (não) preciso de ajuda!"

Num ano tão atípico como o de 2020, a crise que se instalou globalmente tinha de mexer com o bem-estar emocional dos portugueses. Mais de metade dos inquiridos neste estudo da Aximage para a TSF e para o JN revelam que a pandemia provocou um impacto grande ou muito grande no capítulo das emoções e são as mulheres que estão na dianteira.

No entanto, o recurso a ajuda profissional para gerir a situação ficou pelo caminho: apenas 11% dos portugueses procuraram apoio junto de um psicólogo ou de um médico. Já pouco mais de 7 em cada 10 portugueses conseguiram fazer a gestão emocional deste ano sem sentirem necessidade de procurar ajuda.

Já 15% dos inquiridos revelaram ter sentido necessidade de apoio profissional, mas não o fizeram. Na distinção por sexo, foram mais as mulheres do que os homens a expressar essa premência. Dos que não sentiram falta de ajuda profissional, destacam-se sobretudo os homens.

Mais insatisfeitos com o nível de vida

Quanto ao nível de vida e à autoavaliação que os portugueses fazem ao olhar para o que têm e sentem, não há dúvidas de que os que estavam satisfeitos são agora menos e que os que já estavam insatisfeitos viram-se agora mais acompanhados com o desenrolar da pandemia de Covid-19.

Seja no nível de vida em geral, na saúde, na vida social ou na vida familiar, a tendência é clara e revela que a pandemia veio afetar a avaliação feita antes e depois destes meses de convivência com o coronavírus, confinamentos e medidas de restrição.

Se antes da pandemia, quase 6 em cada 10 estavam satisfeitos com o nível de vida que levavam até então, agora não chegam a 4 em cada 10. Já os que estavam insatisfeitos no ano passado eram apenas 5% e viram ao longo do ano a companhia crescer para os 17%.

E na vida social, com a quantidade de regras impostas ao longo do ano, é onde se constatam as maiores variações: mais de metade dos portugueses estavam satisfeitos com a vida social que tinham antes da pandemia e agora são apenas 23% a considerarem-se satisfeitos. Os insatisfeitos antes do coronavírus eram apenas 4% e são agora 36%.

Ficha técnica

A sondagem foi realizada pela Aximage para a TSF e o JN, com o objetivo de avaliar a opinião dos Portugueses sobre temas relacionados com a Covid-19.

O trabalho de campo decorreu entre os dias 23 e 26 de novembro de 2020. Foram recolhidas 647 entrevistas entre maiores de dezoito anos residentes em Portugal. Foi feita uma amostragem por quotas, com sexo, idade e região, a partir do universo conhecido, reequilibrada por sexo e escolaridade.

À amostra de 647 entrevistas, corresponde um grau de confiança de 95% com uma margem de erro de 3,90%. A responsabilidade do estudo é da Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direção técnica de José Almeida Ribeiro.

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