Inspetores do SEF esperam que videovigilância revele toda a verdade sobre morte no aeroporto

Defesa pediu todas as imagens que captaram durante três dias o ucraniano Ihor Homenyuk no aeroporto de Lisboa.

As defesas dos inspetores do Serviços de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) acusados pela morte de Ihor Homenyuk esperam que o caso possa ser totalmente explicado depois de serem analisadas todas as imagens de videovigilância do aeroporto que revelem com quem esteve o imigrante ucraniano ao longo de quase três dias, desde que aterrou em Lisboa até ao momento da sua morte.

Ao longo de meses, durante a investigação do Ministério Público, os três advogados de defesa pediram acesso a uma dezena de outras câmaras, imagens que temiam que fossem destruídas passados 30 dias e que só agora lhes começaram a chegar.

Maria Manuel Candal, que representa o inspetor Luís Silva, confirma à TSF que acredita que já receberam todas as imagens que pediram, mas a análise ainda vai demorar muito tempo pois são centenas de horas de gravação em mais de meia dúzia de câmaras.

A advogada espera que todas estas imagens, e não apenas aquelas que foram analisadas pelo Ministério Público, expliquem aquilo que realmente aconteceu no Aeroporto de Lisboa.

Outro advogado de defesa adianta que, como indica a acusação, o seu cliente e os outros dois inspetores acusados só estiveram 20 minutos com Ihor Homenyuk.

Ihor chegou a Lisboa às 11 horas de dia 10 de março, foi detido e as agressões que alegadamente lhe causaram a morte ocorreram às 8h15 de 12 de março quando os três inspetores entraram na sala dos Médicos do Mundo onde este tinha sido colocado.

Os inspetores estiveram ali pouco tempo, 20 minutos, tempo que segundo o Ministério Público foi suficiente para ser fatal para o ucraniano a quem o SEF barrou a entrada em território nacional.

Depois disso, os inspetores não voltaram ao local e só perto das 17 horas é que o INEM foi chamado depois de dois outros inspetores do SEF se terem apercebido que Ihor não reagia.

O relatório da PJ iliba, contudo, os vigilantes da empresa de segurança que controlam o centro de instalação temporária do aeroporto dizendo que não se aperceberam da gravidade das lesões sofridas por Ihor Homenyuk.

Num requerimento enviado em abril ao DIAP, o advogado Ricardo Sá Fernandes, que representa o acusado Bruno Sousa, dizia que a preservação de todas as imagens de videovigilância do aeroporto, captadas dias 10, 11 e 12 de março, seria fundamental para demonstrar a inocência do inspetor do SEF.

Sublinhando que o seu cliente apenas cumpriu ordens de superiores hierárquicos no SEF para algemarem e imobilizarem Ihor, um passageiro alegadamente extremamente agitado e violento, também a advogada Maria Manuel Candal indicava, mais ou menos na mesma altura, que além dos inspetores entretanto acusados mais seis vigilantes do centro de detenção deviam ser indiciados dos mesmos crimes de homicídio ou, no mínimo, de omissão de auxílio.

Recorde-se que o Ministério Público acusou três inspetores do SEF pela morte de Ihor, mas o relatório da Inspeção Geral da Administração Interna (IGAI) sobre o mesmo caso implicou 12 inspetores do SEF, vários seguranças e até o enfermeiro nesta morte no aeroporto de Lisboa.

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