"A maior ironia." Município modelo na prevenção de fogos tem 95% de área ardida

Autarca de Mação admite que nem sabe o que dizer: "Neste momento somos, de longe, o concelho com mais área ardida do país."

O município considerado durante anos, por muitos, como o modelo na prevenção de incêndios florestais é a partir de agora, de longe, o mais queimado do país. As primeiras estimativas apontam para 95% do território de Mação queimado.

Em pouco mais de duas décadas o concelho recebeu 13 incêndios nascidos e vindos, descontrolados, de outros municípios, com o vice-presidente da autarquia, António Louro, que tem o pelouro da prevenção de fogos florestais, a dizer que "não há maior ironia que isto".

Sublinhando que basta fazer uma pesquisa na Internet para confirmar que foram considerados um modelo nesta área e garantindo que mais "nenhum municipio se esforçou mais do que Mação ou tinha mais ações concretas no terreno".

No entanto, perante mais estes fogos de 2019, António Louro admite que "nem sei o que diga com estes resultados pois neste momento somos, de longe, o concelho mais queimado de todo o país".

Em 2017 arderam 27 mil hectares e agora, em 2019, foram mais 6 mil hectares, sendo que a primeira estimativa aponta para 95% do concelho queimado.

"Não há nenhum concelho que se possa comparar. Para lhe dizer a gravidade da nossa situação posso só dar dois números: naquilo que ardeu em 2017 em Mação cabem três vezes o concelho de Pedrógão Grande e mais do que ardeu em Monchique, Portimão e Silves, tudo junto, no incêndio de 2018. Agora ainda arderam mais 6 mil hectares... Não há palavras", desabafa o autarca.

Desalentado, António Louro diz que nenhum sistema municipal de proteção civil tem "qualquer capacidade para responder a frentes de fogo, vindas de outros concelhos, com três a quatro quilómetros".

A Câmara de Mação está convencida que mais que apostar em cada vez mais meios de combate, como muitas vezes se fala, é preciso mudar a paisagem e apostar o regresso da agricultura:

"Durante décadas a aldeia tinha no agricultor o 'braço armado' que zelava pela paisagem e criava condições para manter o equilíbrio com a pastorícia... Tudo isso desapareceu".

Com tanta floresta a ocupar o espaço que já foi da agricultura, António Louro acredita que com as alterações climáticas e a subida das temperaturas, por muito que se faça, os fogos vão continuar a aparecer e a ser cada vez mais violentos.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de