Aviões em choque com milhões de voos de aves no Montijo

Mais de três milhões de movimentos de aves foram detetados pelos radares usados pelo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do Aeroporto do Montijo.

Os investigadores estiveram um ano a observar o movimento dos pássaros e concluíram que a zona onde vai ser construído o aeroporto complementar de Lisboa tem risco de choque das aves com os aviões mas propõem alternativas a este impacto negativo.

De acordo com as conclusões do estudo que "teve a duração aproximada de um ano e foram realizadas oito campanhas (entre dezembro de 2016 e novembro de 2017, considerando campanhas nos meses mais importantes para as aves no Estuário do Tejo)", conforme explica o EIA, "ao longo das oito campanhas efetuadas, o radar em disposição horizontal detetou um total de 3 064 889 alvos (ou movimentos de alvos) que foram classificados automaticamente pelo software como prováveis aves".

Assim, o EIA construiu uma tabela onde "estão listadas as 25 espécies prioritárias relativamente ao potencial risco de colisão". No primeiro lugar está o Corvo-marinho-de-faces-brancas. "O que todas estas aves têm em comum é serem espécies de dimensões elevadas ou de dimensão média-alta e serem aves muito comuns no estuário do Tejo e com apetência por zonas húmidas, cuja presença na área, em princípio, não se prevê que diminua significativamente após a construção do aeroporto", sublinha o relatório do EIA.

Deste modo para se fazer o aeroporto é preciso evitar as aves o que só é possível com medidas que passam pela instalação de dois radares em tempo real do movimento das aves.

Os autores do EIA recomendam que a área de cobertura inclua a zona do Aeroporto do Montijo e ainda a zona da Ponta da Erva, um local situado na lezíria do Tejo a sul da reta do Cabo, e que é considerado uma importante zona para alimentação de aves devido à presença de arrozais.

Este sistema de radar "visa obter informação em tempo real e em contínuo sobre o uso do espaço pela avifauna; manter atualizada a informação sobre o risco de colisão entre aves e aeronaves; possibilitar o alerta dos controladores aéreos, pilotos e pessoal de segurança operacional responsável por remover aves do interior da área do aeródromo (se aplicável) em caso de ocorrência de situações críticas. O tipo de sistema a instalar deverá ter capacidade de detetar a altitude a que as aves ou bandos de aves estejam em voo, de modo a dar informação precisa sobre o risco que constituam para a navegação aérea", recomendam.

Novas rotas

Por outro lado, devido ao elevado número de movimentos de aves que se registaram na zona da Ponta da Erva e nas lagoas do EVOA, em Vila Franca de Xira, uma zona atravessada quer pelas rotas de aterragem e descolagem do futuro Aeroporto do Montijo e por isso recomenda-se uma alteração às rotas que estão previstas, no sentido de as deslocar para as áreas que apresentem menor número de movimentos de aves; uma alteração à qual a NAV já respondeu de forma positiva com dois cenários possíveis.

O EIA sublinha ainda que o novo Aeroporto vai destruir 2,71 hectares de salinas e é preciso encontrar "áreas de compensação" que " devem possuir características similares às que serão destruídas, preferencialmente em local próximo, mas não conflituante com as operações aeronáuticas do Aeroporto do Montijo".

É por isso que "deverá ser delineado um plano para seleção de um complexo de salinas de dimensão e características similares, em local não conflituante com as operações aeronáuticas do Aeroporto. Este complexo de salinas a selecionar deve possuir potencial de refúgio para aves aquáticas", e é dado o exemplo das Salinas de Vale Frades e Bela Vista.

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