Beja e Portalegre sem Urgência de Obstetrícia e Litoral Alentejano sem Cirurgia

A falta de médicos especialistas em número suficiente para o preenchimento das escalas de serviço, durante estes dias, inviabiliza o funcionamento dos serviços.

Os hospitais de Beja e Portalegre estão, desde esta sexta-feira e durante o fim de semana, sem Urgência de Ginecologia e Obstetríciae, e o Hospital do Litoral Alentejano não vai realizar cirurgias, por falta de médicos.

No Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, pertencente à Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), a Urgência de Ginecologia e Obstetrícia já esteve encerrada, esta semana, entre as 6h00 de terça-feira e as 8h00 de quarta-feira, por falta de médicos para preencher a escala.

A situação repete-se agora, estando o mesmo serviço temporariamente indisponível, desde as 6h00 desta sexta-feira até às 8h00 de domingo, por falta de médicos da especialidade.

"Está encerrado temporariamente. São necessários dois médicos para fazer a escala e o que acontece é que às vezes temos um, mas, como não encontramos o segundo, não podemos ter a Urgência aberta só com um", explicou à agência Lusa uma fonte hospitalar

Para preencher as escalas, assinalou, o que "normalmente" se faz é recorrer "aos prestadores de serviços, mas, nestas alturas de férias de verão e com um feriado a meio da semana [na quinta-feira], é mais complicado".

"Foram esgotadas todas as possibilidades e não conseguimos assegurar a escala", frisou, assinalando que é a "sexta vez" que este cenário acontece no hospital este ano.

O fecho temporário "foi comunicado ao Ministério da Saúde e ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU)" do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), entidade "a quem cabe fazer o encaminhamento das grávidas, consoante a sua localização, para outros hospitais", afirmou a fonte, dando como exemplo os de Évora ou de Faro.

Já no hospital de Portalegre, o mesmo serviço encerra às 20h00 desta sexta-feira e volta a funcionar às 8h00 de segunda-feira, com as utentes a terem como alternativa Évora, revelou à Lusa o porta-voz da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), Ilídio Pinto Cardoso.

A unidade tem só um obstetra nesta altura, faltando outro para poder completar a escala, explicou, frisando que esta "é quase feita ao dia", o que dificulta poder avançar se a situação se vai repetir este mês.

No Hospital do Litoral Alentejano (HLA), em Santiago do Cacém (Setúbal), o problema é outro durante este fim de semana, mas a causa é a mesma. Devido à falta de profissionais "em número suficiente" para preencher a escala de serviço, não vão ser feitas cirurgias no bloco operatório.

"Das 8h00 de sábado às 8h00 de segunda-feira, vão estar um cirurgião e um interno na Urgência de Cirurgia apenas para o diagnóstico e reencaminhamento dos doentes para outras unidades, mas não efetuamos intervenções cirúrgicas porque falta um cirurgião", disse o diretor clínico dos cuidados primários de saúde da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA), Horácio Feiteiro.

No Alentejo, apenas o Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) relatou ter "todos os serviços a funcionar normalmente", segundo fonte contactada pela Lusa.

"Governo não pode preocupar-se só com a greve dos motoristas"

O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, confirmou à TSF que estão encerrados três serviços de urgencia de obstetricia na região Sul: Beja, Portalegre e Santiago do Cacém.

Roque da Cunha explica que faltam médicos para garantir as escalas este fim de semana e acusa o Executivo de "tapar o sol com a peneira".

O sindicalista lembra que as contratações temporárias não são resposta e pede uma tomada de posição da ministra da saúde: "A sra. ministra da Saúde tem de dizer alguma coisa sobre esta matéria e não pode remeter-se ao silêncio."

Roque da Cunha deixa ao Governo o aviso de que é preciso preocupar-se com outros problemas além da greve dos motoristas.

"O nosso apelo é que o Governo se concentre um pouco no Serviço Nacional de Saúde, que não se preocupe exclusivamente com a propaganda do combate à greve dos transportadores de matérias perigosas", atirou.

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