Berardo é como o Joker? E Sócrates é como Ronaldo?

Como não poderia deixar de ser, a audição de Joe Berardo na Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi escrutinada ao milímetro no Governo Sombra.

A prestação de Joe Berardo na Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD, no passado dia 10 de maio, gerou uma onda de indignação unânime no país. Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se desiludido, António Costa declarou que o país ficou "seguramente chocado com o desplante" do empresário. O CDS enviou uma carta ao presidente da Assembleia da República para solicitar a instauração de processo disciplinar a Joe Berardo, com o objetivo de remover ao empresário o título de comendador , e Pacheco Pereira disse, no programa Circulatura do Quadrado, que "não são as comendas que lhe quero tirar. É o sorrisinho da cara". David Justino afirmou, no programa Almoços Grátis, da TSF, que Berardo é " um vampiro e um caloteiro assumido ".

O empresário madeirense, que está no centro do escândalo dos grandes devedores da CGD pelo incumprimento nos elevados empréstimos que lhe concedeu o banco público, afirmou perante a Comissão Parlamentar de Inquérito: "Pessoalmente, não tenho dívidas", explicando também que tentou apenas ajudar os bancos numa altura de crise. Perante os deputados incrédulos, o empresário soltou por várias vezes gargalhadas, que alguns compararam ao riso de Joker, supervilão do universo DC e arqui-inimigo de Batman.

Incontornável, o tema dominou grande parte do programa Governo Sombra. Pedro Mexia lembrou que o menos importante são as comendas do empresário, e que as verdadeiras questões são o inquérito à CGD e o caso CCB, que é um equipamento nobre do Estado e essencial para a Cultura, e se encontra "ocupado" pela Coleção Berardo.

Ricardo Araújo Pereira defende que o caso pode ainda vir a dar origem a cenas interessantes, porque Berardo pode vir a implicar terceiros que tenham estado envolvidos nos negócios e empréstimos que estão agora sob escrutínio, e pergunta-se se, na comissão de inquérito, Berardo não estaria a gozar também com "as pessoas que tentaram usá-lo como peão na tomada de assalto do BCP", insinuando que essas pessoas seriam próximas "de uma figura da vida pública portuguesa, da qual não se costuma falar muito", referindo-se, obviamente, ao antigo primeiro-ministro, José Sócrates.

Carlos Vaz Marques lembra que José Miguel Júdice já veio dizer que a questão da 'tomada de assalto do BCP' é anterior a Sócrates, mas João Miguel Tavares aproveita para brincar com o assunto, dizendo que, mesmo que tivesse havido "trafulhices" anteriormente, nunca essa "trafulhice" tinha chegado ao nível de apuro de Sócrates, comparando o ex-primeiro ministro a Cristiano Ronaldo, em termos de excelência. Ricardo Araújo Pereira avisa que João Miguel Tavares está a pisar terreno perigoso, e que tais afirmações podem pô-lo em risco de ser processado simultaneamente por Sócrates e Ronaldo.

Lembrando que, depois da Comissão Parlamentar nem uma voz se levantou na defesa de Berardo, Ricardo Araújo Pereira mostra-se impressionado pelo facto de, mesmo moderado pelo advogado, Berardo ter conseguido ser tão absolutamente chocante, e recorda a reação do advogado no momento em que o empresário solta uma sonora gargalhada em resposta a Cecília Meireles (deputada do CDS-PP) quando esta lhe pergunta "se os bancos acionarem esses mecanismos, o senhor deixa de mandar?". "Imagina o que é que ele fazia se fosse lá sozinho!" - sugere o humorista.

A emissão completa do Governo Sombra, para ver ou ouvir , sempre, em tsf.pt .

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