Autarquias criticam "kit inútil". Sintra vai recolher e substituir material

A autarquia informou que "desconhecia" a composição dos materiais do kit destes programas, e que Basílio Horta (eleito pelo PS), decidiu recolher estes materiais, nomeadamente coletes e golas. A autarquia de Vila Pouca de Aguiar considera kit "inútil".

A Câmara Municipal de Sintra, que tem 12 aldeias nos programas "Aldeias Seguras" e "Pessoas Seguras", anunciou esta sexta-feira que vai "recolher de imediato todos os componentes inflamáveis" do 'kit' entregue pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). A informação foi já confirmada pela TSF, que interrogou a autarquia.

Em resposta à agência Lusa, a autarquia informou que "desconhecia" as informações vindas a público esta sexta-feira sobre a composição dos materiais do 'kit' destes programas, e que o presidente da Câmara Municipal, Basílio Horta (eleito pelo PS), decidiu recolher estes materiais, nomeadamente coletes e golas.

Os materiais recolhidos serão substituídos por "equipamento que garanta a segurança dos voluntários".

No município de Sintra, a ANEPC disponibilizou 'kits' aos 24 oficiais de segurança dos programas "Aldeias Seguras" e "Pessoas Seguras" - dois por cada uma das 12 aldeias - e, no âmbito de sessões de esclarecimento, distribuiu "cerca de 30 golas" à população, segundo fonte da autarquia.

A câmara contabilizou a necessidade de substituir 24 coletes e cerca de 54 golas, processo que vai ser assegurado "durante a próxima semana".

Promovidos pela ANEPC, os programas "Aldeias Seguras" e "Pessoas Seguras", que visam a defesa da floresta e pessoas, foram implementados em 12 aldeias da freguesia de Colares, em Sintra, designadamente Azóia, Atalaia, Ulgueira, Almoçageme, Casas Novas, Penedo, Banzão, Mucifal, Colares, Vinagre, Eugaria e Gigaroz.

A Proteção Civil esclareceu esta manhã que os materiais distribuídos no âmbito dos programas "Aldeias Seguras" e "Pessoas Seguras" não são de combate a incêndios nem de proteção individual, mas de sensibilização de boas práticas.

O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, disse também que é "irresponsável e alarmista" a notícia sobre as golas antifumo com material inflamável distribuídas no âmbito do programa "Aldeias Seguras", sublinhando a importância do trabalho que está em curso em mais de 1.600 aldeias do país e assegurando que a distribuição das golas antifumo não põe em causa nem o projeto nem a segurança das pessoas.

O Jornal de Notícias escreve esta sexta-feira que 70 mil golas antifumo fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização, que custaram 125 mil euros, foram entregues pela Proteção Civil no âmbito do programa "Aldeia Segura" e "Pessoas Seguras".

De acordo com o jornal, as golas antifumo, fabricadas em poliéster, "não têm a eficácia que deveriam ter: evitar inalações de fumos através de um efeito de filtro".

Em comunicado, a ANEPC lembra que os programas "decorrem da Resolução do Conselho de Ministros n.º 157-A/2017, e visam capacitar as populações no sentido de reforçar a segurança de pessoas e bens mediante a adoção de medidas de autoproteção e a realização de simulacros aos planos de evacuação das localidades".

Trata-se, segundo a ANEPC, da primeira grande campanha nacional orientada para a autoproteção da população relativamente ao risco de incêndio rural, bem como à sensibilização para as boas práticas a adotar neste âmbito.

No âmbito dos programas foram produzidos e distribuídos diversos materiais de sensibilização, designadamente o Guia de Implementação dos Programas, os Folhetos de Sensibilização multilingues, a Sinalética identificativa de itinerários de evacuação e de locais de abrigo ou refúgio e os kits de emergência".

"Importa reforçar que estes materiais não assumem características de equipamento de proteção individual, e muito menos de combate a incêndios. Trata-se sim de material de informação e sensibilização sobre como devem agir as populações em caso de incêndio, aumentando a resiliência dos aglomerados populacionais perante o risco de incêndio rural", acrescenta a ANEPC.

Autarca de Vila Pouca de Aguiar considera que kit distribuído é inútil

O presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Alberto Machado (PSD), afirmou à agência Lusa que o programa Aldeia Segura é "positivo", embora um pouco para "a fotografia", mas apontou a "inutilidade do 'kit'" distribuído pelas aldeias.

Vila Pouca de Aguiar foi dos primeiros concelhos do distrito de Vila Real onde foi implementado o programa "Aldeia Segura - Pessoas Seguras".

Das 14 freguesias do concelho, 12 aderiram e nelas foram distribuídos cerca de 60 kits com "golas antifumo, coletes e um rádio" que, segundo o autarca, "só dava para receber e não permitia o contacto".

"Sempre achei que o kit não tinha utilidade, mas agora, para além de não ter utilidade, ainda temos conhecimento de que tem efeitos negativos", afirmou Alberto Machado. "Para além de achar que não prestava para nada, agora percebe-se que até era prejudicial porque é inflamável. E é o Estado a transmitir essa mensagem às comunidades", frisou.

Na opinião do autarca social-democrata, o programa "Aldeia Segura" foi "muito para a fotografia", no entanto considerou que o princípio era "positivo e útil". "O princípio agradou-me. Havia uma prevenção da aldeia. Achei a ideia boa, positiva e útil no sentido do alerta da população. Temos uma população muito envelhecida e que não reage com a mesma agilidade de uma população mais jovem, como é obvio", referiu.

Alberto Machado disse que Vila Pouca de Aguiar "gosta de colaborar com as estratégias nacionais", mas reconheceu que "sempre teve muitas dúvidas sobre a eficiência deste programa e do kit".

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de