Desigualdade no acesso ao Ensino Superior não é novidade. "É preciso fazer mais"

O nível socioeconómico das famílias influencia o acesso às universidades e politécnicos: estudo não surpreende ministro e reitores.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior considera que o combate às desigualdades no acesso às universidades e politécnicos deve ser uma preocupação constante.

Em declarações à TSF, Manuel Heitor nota que "não há nada de novo" nas conclusões do estudo que indica que os estudantes provenientes de famílias com níveis de escolaridade mais elevados conseguem entrar no Ensino Superior com notas mais altas, mas diz que é preciso "humildade para fazer sempre mais".

O ministro lembra que nos últimos três anos o número de bolsas aumentou para 80 mil, o número de estudantes em cursos superiores subiu para 373 mil, e o número de estudantes que se inscrevem pela primeira vez no Ensino Superior aumentou para 103 mil. "Mas não é suficiente", reconhece.

"Temos de continuar a aumentar e sobretudo a penetrar nas famílias e comunidades mais vulneráveis."

Para isso, o Governo definiu uma estratégia para chegar a 2030 com um aumento de 50% de alunos a ingressar em universidades e politécnicos.

Atualmente quatro em cada dez jovens entram no Ensino Superior, mas o objetivo é que em 2030 a média suba para seis em cada dez.

Por sua vez, o Presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas considera imperativo "aumentar a ação social, seja ela direta (com bolsas de ensino) ou indireta (como a aposta no alojamento para os estudantes)."

Só assim será possível "aumentar a qualificação dos portugueses" e combater as desigualdades socioeconómicas das várias regiões do país, defende Fontainhas Fernandes.

"Os cursos com a nota mais elevada são frequentados por jovens com famílias que apostaram mais na sua educação", reconhece.

Já o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) lembra que "Portugal saiu de uma ditadura, onde o sistema era profundamente elitista, há pouco mais de 40 anos. Nós construímos um sistema de Ensino Superior que é muito mais democrático, mas carece de um aprofundamento do modelo."

"O crescimento da rede de Ensino Superior tem permitido que pessoas que tradicionalmente não iriam para o Ensino Superior estejam a chegar ao Ensino Superior. É um ganho inequívoco de Abril", diz Pedro Dominguinhos.

Segundo o estudo intitulado "A Equidade no Acesso ao Ensino Superior", realizado pelo Projeto EDULOG da Fundação Belmiro de Azevedo, os jovens com pais sem formação ao nível do Ensino Superior representam apenas 61% dos novos inscritos nas universidades e politécnicos. E dos 45.051 alunos que, no total, frequentam o Ensino Superior em Portugal, apenas 14.187 (31,5%) são bolseiros.

Os estudantes oriundos de famílias com menos estudos - que não têm possibilidade de pagar explicações ou frequentar colégios privados - são aqueles que, tendencialmente, mais vão estudar para os politécnicos, uma vez que não conseguem atingir as médias exigidas pelas universidades. Se nas universidades, a percentagem de alunos bolseiros é de apenas 28,1%, nos institutos politécnicos ascende aos 37,4%.

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