"É bom pensar com gente." Ivo e Leonel Canelas

O filho é ator. O pai engenheiro. Arte e ciência. Ou como descobrir as coisas maravilhosas da vida.

Imaginamos Leonel Canelas a manobrar um parapente. A voar com os pensamentos. A três mil metros do chão, só se ouve, vagamente, o barulho do vento a bater nas cordas do "guardanapo", como lhe chama o engenheiro ambiental. O Universo pára. Esta viagem começou aos 50. "Estava a esquiar e vi uns malucos pendurados no ar. Quis logo experimentar." O risco e a incerteza, são para o pai do ator, dois amigos de toda a vida. Aventura, sonho, imaginação.

Quando Ivo era miúdo, e a família partia de férias para o Algarve, a viagem tinha sempre história. Histórias. E a caminho da escola, pai e filho trauteavam músicas do Chico Buarque , "eu só ficava com as pontinhas, não sabia a letra", recorda Ivo Canelas. E esta é uma outra viagem:

Pai - Sei que estás em festa,
Filho - pá,
Pai - fico contente,
Filho - e aguardo,
Pai - renitente
Filho - um cheirinho
Pai - a alecrim....

Pára pára pára......

Tanto mar e muito mais para descobrir nesta conversa

O pai que ainda se lembra da lista dos mamíferos que foi obrigado a empinar no liceu. O filho que pisou o palco pela primeira vez, embrulhado em papel de prata,
a fazer de astronauta, no teatro da escola. Queria espaço e também queria voar. Não deu para astronauta mas ganhou asas para ser actor.
Conservatório, mais tarde , estudou em Nova Iorque, antes passou pela Feira Popular, 2 anos até chegar ao topo da carreira de monstro, na Casa Assombrada e agora já passam quase 25 anos de representação. Quase bodas de prata.

Está na arena com " Todas as coisas maravilhosas ", um texto do dramaturgo inglês Duncan MacMillan adaptado com a tradutora e poetisa Margarida Vale do Gato.Hugo Nóbrega, da produtora de espectaculos H2N, (Phenomena Makers) desafiou e ele aceitou o primeiro monólogo da sua vida de actor.

A depressão, o suicídio, a comunicação, a sobrevivência e a partilha. Tudo acontece durante hora e meia, Ivo e o público. Em diálogo. Sim, e continua a ser um monólogo: "onde é permitido tocar, onde a energia cai e a alegria dispara", onde Ivo se comove, se surpreende, escuta e faz uma lista das coisas maravilhosas da vida. "Um bocadinho mais de tudo, por favor", é o que pede Ivo Canelas, citando John Coltrane, e eu roubo-lhe a citação de Jorge Silva Melo para o último programa, antes das férias de Verão,"é bom pensar com gente". Até Setembro.

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