Fechar urgências de obstetrícia rotativamente é uma "solução de remendos"

Luís Graça está à frente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e defende uma solução "de fundo" para fazer face à falta de especialistas nos hospitais públicos.

O presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia não fica surpreendido com a noticia de que as urgências das quatro maiores maternidades da região de Lisboa podem ter de fechar de forma rotativa durante o verão, por causa das férias e da falta de obstetras e anestesistas.

O jornal Publico avança esta quinta-feira que a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo propôs um esquema rotativo de funcionamento aos serviços de obstetrícia do Hospital de Santa Maria, São Francisco de Xavier, Amadora-Sintra e da Maternidade Alfredo da Costa.

Ouvido pela TSF, Luís Graça - que já foi chefe de serviço na obstetrícia do Santa Maria não vê novidade nesta solução, que considera ser um remendo para problemas antigos.

"Tem de haver uma solução, mas não é uma solução de remendos, como esta que vem agora no jornal. Tem de ser uma solução de fundo. E a solução de fundo tem de ser responsabilidade do Ministério da Saúde. E o Ministério das Finanças tem de abrir os cordões à bolsa para permitir a contratação de médicos especialistas nestas duas áreas: obstetrícia e anestesia."

Na opinião de Luís Graça, o encerramento de urgências nas maternidades traz riscos para todas as partes envolvidas. O presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia defende que a situação vai agravar-se, porque há muitos especialistas a passarem dos hospitais públicos para os privados.

"Era previsível, pelo menos há dois ou três anos, que isto acontecesse. Têm saído especialistas dos hospitais públicos, nomeadamente do Hospital de Santa Maria saíram recentemente três especialistas. Como não tem havido reposição de especialistas, mais tarde ou mais cedo isto tinha de acontecer."

Para além disso, Luís Graça lembra que "aqueles [especialistas] que ficam nos hospitais públicos são os mais velhos que estão dispensados de fazer o serviço de urgência."

Ordem dos Médicos não está supreendida

A Ordem dos Médicos diz à TSF não estar surpreendida com esta solução, uma vez que já alertou para este problema várias vezes: "Nós estamos a dizer isto há um ano e meio", disse Alexandre Valentim Lourenço, presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos.

"É preciso modificar sistemas, as vagas não são preenchidas, recursos estão a ser dispersos e não está a ser formado mais pessoal, apesar de haver muitos internos na especialidade e de serem vagas que são pretendidas", explica Alexandra Valentim Lourenço à TSF.

O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos considera pouco credível que "um especialista não queira trabalhar na maternidade Alfredo da Costa ou no Hospital de Santa Maria" e explica que #face ao tipo de trabalho e às condições de trabalho que existem, eles próprios [os especialistas] estão a sair destes sistemas.

"Nós queremos, claramente, que haja um investimento real financeiro de recursos, de pensamentos e de equipas na rede das maternidades", remata.

Notícia atualizada às 14h41

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de