Jovens que vivem perto de fronteiras sentem desigualdades, mas são resilientes

A Universidade do Porto foi à procura da realidade e expectativas dos jovens que vivem junto à zona de fronteira entre Portugal e Espanha. Numa análise aos primeiros resultados, os jovens manifestam um conjunto de dificuldades, mas nada que os demova de uma dia, na vida adulta, quererem regressar às suas origens

Os jovens de fronteira são resilientes, têm um forte sentimento de pertença ao país e à Europa, mas sentem desigualdades no acesso ao Ensino Superior e ao emprego, de acordo com as primeiras conclusões do projeto GROW.UP - Crescer em regiões de fronteira: jovens, percursos e agendas, uma investigação que envolveu quatro mil participantes de 38 municípios.

O projeto está a desenvolver-se no Centro de Investigação e de Intervenção Educativas da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, envolve uma equipa de 10 pessoas e é coordenado por Sofia Marques da Silva.

No âmbito deste projeto foram inquiridos jovens, desde o 9.º ao 12.º anos, ou seja, com idades entre os 14 e os 18 anos, que residem entre Caminha e Vila Real de Santo António. Foram também questionados diretores de escolas e vereadores dos pelouros da juventude e educação das câmaras.

Sofia Marques da Silva explica que o objetivo foi estudar e compreender os jovens que vivem nas zonas de fronteira e as influências contextuais, institucionais e sistémicas nas suas vidas, bem como analisar de que modo as comunidades estão a contrariar as desigualdades.

As regiões de fronteira em Portugal são frequentemente coincidentes com zonas rurais e remotas, afetadas pelas assimetrias e o despovoamento. A investigadora refere que os resultados preliminares incidem na zona Norte (54% dos inquiridos) e que resultam das "perceções dos jovens".

De acordo com essas perceções, os jovens sentem desigualdades em termos de acesso a oportunidades, quer educacionais quer de empregabilidade.

"Uma grande parte dos jovens tem como expectativa ir para o Ensino Superior, mas a oferta é menor, independentemente de eles até quererem, e principalmente os rapazes, ficar nas suas regiões para prosseguir estudos", indica, ainda, Sofia Marques da Silva.

A vontade de sair para outros territórios à procura de novas experiências é comum, no entanto o estudo revelou um "forte sentimento de pertença" dos jovens em relação às suas regiões, ao país e à Europa, e "valores mais baixos" em relação a Espanha.

Nas regiões transfronteiriças os jovens sentem que o "apoio dos professores nas suas vidas é muito elevado", mas consideram que existem menos atividades desenvolvidas pelas escolas para se relacionarem com as famílias.

Sofia Marques da Silva referiu que este é um estudo nacional que começou com um estudo de caso há 10 anos, na aldeia de Bemposta, em Mogadouro, onde foi tentar perceber os jovens que vivem em meios pequenos e rurais.

O GROW.UP é um projeto apoiado no âmbito do Compete e pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e conta com um financiamento de cerca de 200 mil euros.

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