Linha elétrica sem sinalização na origem de morte de piloto em Valongo

Linha de alta tensão não precisava de estar sinalizada porque existia outra, a 45 metros, que tinha essa sinalização. Colisão tornou a queda inevitável.

A colisão do balde do helicóptero de combate a incêndios florestais contra uma linha de eletricidade que não precisava de estar sinalizada esteve na origem do acidente que destruiu a aeronave e matou o piloto, na semana passada, em Valongo.

A conclusão é do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF) na primeira análise, preliminar, àquilo que aconteceu com um helicóptero da Afocelca, um corpo privado de bombeiros florestais da Navigator e da Altri, ao serviço da Proteção Civil.

Descarga elétrica fundiu cabos

Nesta primeira análise, lida pela TSF, os investigadores explicam que o acidente aconteceu após o piloto largar a equipa de intervenção.

"Após transpor uma primeira linha de muito alta tensão, devidamente sinalizada e composta por 14 condutores, o balde suspenso da aeronave colidiu nos cabos da segunda linha, esta posicionada a uma cota inferior e a cerca de 45 metros de distância horizontal da primeira, motivo pelo qual dispensa sinalização", refere a análise do GPIAAF.

Depois do impacto com o balde também o rotor da cauda atingiu outro cabo o que resultou "numa descarga elétrica utilizando o helicóptero e seus acessórios como condutor entre os dois cabos", acabando por fundir os cabos de aço e o suporte do balde. O impacto criou "um arco elétrico intenso".

Investigação avalia gestão do risco das linhas de energia

Sem o rotor da cauda e sem o estabilizador vertical, "a perda de controlo da aeronave foi inevitável e consequente queda abrupta em rotação, percorrendo 66 metros até se imobilizar" e ser totalmente destruída por um incêndio gerado pela queda.

Existia algum vento, mas a turbulência era apenas moderada.

O GPIAAF adianta que o processo de investigação a este acidente vai continuar em curso, indo a partir de agora focar-se no funcionamento da aeronave antes do evento, nos fatores humanos, organizacionais e procedimentos, mas também nas "medidas de gestão do risco relativamente à colisão de aeronaves de combate a incêndios com linhas aéreas de transporte de energia".

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