O inevitável regresso à origem

Maria de Lourdes Modesto e a gastronomia portuguesa confundem-se e continuam a interligar-se. A cozinha tradicional ainda tem muito para dar. Mesmo em pleno centro turístico ainda há oásis que juntam boa comida a bons preços.

Quem gosta de gastronomia, profissional ou amador há um livro incontornável e um nome essencial: Cozinha Tradicional Portuguesa de Maria de Lourdes Modesto. A cozinheira, apresentadora e gastrónoma é uma personalidade que inspirou a grande maioria dos chefs portugueses.

A um mês de completar 90 anos, Maria de Lourdes continua a ter uma opinião respeitada e lúcida da gastronomia em Portugal e não se coíbe de acompanhar as carreiras dos cozinheiros em Portugal e a evolução da culinária.

Insurge-se contra algumas características da cozinha moderna, continua a eleger a comida tradicional e regional como a que mais gosta e lamenta que alguns pratos contemporâneos não a transportem para as memórias. Alerta para alguns costumes que se estão a perder e avisa que em Portugal o ADN é importante para nos diferenciarmos.

Manter a tradição... e os preços

Afinal em Lisboa ainda se pode comer bem e barato. O turismo e a massificação dos espaços da restauração veio de alguma forma acabar com os espaços mais regionais que serviam comida caseira a preços razoáveis.

A Parreirinha do Duque e O Fernandinho são duas aldeias gaulesas que resistem aos tempos e mantém as cozinhas de conforto portuguesas. Ambos na Rua do Duque, no Chiado. Filomena e António de Arganil na Parreirinha e Fernando m"O Fernandinho.

Pratos como a chanfana, pernil de porco, bacalhau à lagareiro, peixes na grelha, bitoques, petinga frita, entremeada ou cozido à portuguesa a preços que variam entre os quatro e oito euros. Enquanto nos almoços os clientes são habituais, ao jantar há turistas que por algum acaso feliz foram lá parar.

Augusto Freitas de Sousa (boavida@tsf.pt)

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