Cacilhas transforma rua em laboratório ambiental

É na rua Cândido dos Reis que forças começam a mover-se para mudar hábitos. Será construído um centro logístico, de onde se fará a distribuição para os restaurantes e cafés.

Em todas as ruas se encontra o desperdício, em todas as ruas se podem perder hábitos insustentáveis. O Laboratório Vivo de Redução de Carbono é uma experiência inédita em Portugal que tem o intuito de incutir uma mentalidade ambientalista em comerciantes e moradores na zona histórica ribeirinha de Cacilhas, em Almada.

Recolher e separar resíduos serão, até ao fim de 2019, atitudes premiadas com uma moeda virtual, criada especialmente por empresas tecnológicas especializadas. A ideia passa por montar infraestruturas que permitam reduzir as emissões de carbono, sobretudo através do corte no consumo de combustíveis fósseis.

O projeto, aprovado para a rua Cândido dos Reis, foi apresentado há um ano, mas o laboratório ainda não ganhou vida.

O plano arranca até ao fim do ano, garantiu esta manhã à TSF o vereador do Ambiente, Nuno Matias. A ideia é que, no próximo ano, por esta altura, o Laboratório Vivo já esteja a funcional, de forma a tornar a rua Cândido dos Reis mais saudável.

A distribuição para cerca de 30 cafés e restaurantes será feita a partir de um centro logístico, o Farol, com carros elétricos. O centro produzirá eletricidade através de painéis fotovoltaicos e de um inovador sistema que produz energia através de um solo especial que aproveita o movimento dos peões.

Um ponto de recolha seletiva de resíduos, incluindo os orgânicos, como os restos de comida dos restaurantes, é outro dos principais investimentos previstos.

O engenheiro Carlos Sousa, Agência Municipal para a Energia, explica à TSF que 12 empresas estão envolvidas no consórcio e aceitaram o desafio "de construir um plano que incorporasse um conjunto de aspetos que nos pudessem qualificar a rua e aumentar a sustentabilidade deste local".

As empresas fornecerão, assim, soluções tecnológicas, energéticas e ao nível das infraestruturas, e até mesmo a moeda virtual foi projetada com a ajuda da Universidade Católica.

Há, no entanto, ainda questões a ser pensadas, como os impostos, para os quais ainda não há cálculos.

A moeda de troca funcionará como um incentivo para os comerciantes e para os moradores. Quando fizerem a recolha do lixo, receberão esta moeda virtual que lhes permite fazer compras na rua e locomover-se nos transportes públicos da cidade.

O laboratório será a projeção real de um espaço inclusivo - para moradores, comerciantes e visitantes -, circular - com redução de desperdícios e aumento da eficiência - e de baixo carbono. Recebeu este nome por ser justamente "um laboratório daquilo que poderá ser feito noutros lugares"

Por agora, ainda é preciso "vir para a rua para falar com todos os comerciantes" para explicar que isto é um ganho para todos, admite Carlos Sousa.

Da rua para o mundo, as janelas podem abrir-se para uma realidade mais saudável e sustentável, que poderá até aumentar o fluxo de pessoas na zona. Afinal, importa lembrar que, quando a rua Cândido dos Reis foi transformada em pedonal, a circulação de pessoas aumentou em 200%.

O projeto de 1,2 milhões de euros conta reduzir as emissões carbónicas em 80% até 2050.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de