Veterinários admitem nova greve que possa "pôr em causa a carne nos talhos"

Médicos veterinários cumpriram hoje o último de dois dias de greve.

Terminada esta quarta-feira uma greve de dois dias, os médicos veterinários admitem voltar aos protestos para contestar um decreto-lei que entrou em vigor em janeiro e que prevê a transferência de competências da Direção Geral de Alimentação e Veterinária para as autarquias.

À TSF, o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte (STFPSN), Orlando Gonçalves, explica que esta transferência põe em causa saúde pública, uma vez que a inspeção veterinária fica sob a alçada das autarquias.

"As inspeções, sejam elas quais forem, e muito menos a inspeção veterinária - estamos a falar daquilo que comemos, são eles que garantem a qualidade da carne e peixe que consumimos - não pode ser espartilhada em 278 e depois ser gerida por cada município. É mau porque depois as regras seriam definidas por cada um dos presidentes de câmara, não seriam iguais para todos e a inspeção ficava posta em causa já por aí. Passando para as câmaras, há um risco muito maior de haver alguma promiscuidade. Já aconteceu haver familiares dos donos dos matadouros a serem contratados pelas câmaras", revela o coordenador do STFPSN.

Além destas preocupações, os médicos veterinários exigem ainda a criação de uma carreira de inspeção sanitária. Se nada mudar, estão preparados para fazer uma nova greve com maior impacto.

"Vamos avaliando com os trabalhadores as medidas de luta a assumir daqui para a frente. Eles estão na disposição de fazer greves e ações de luta maiores do que esta. Dois dias acabam por não colocar muito em causa - já dá prejuízos aos matadouros e aos produtores - mas não chega a sentir-se a falta de carne nos talhos. Uma greve por tempo mais indeterminado, ou com um número de dias superiores a esta, pode mesmo pôr em causa a carne nos talhos, e é isso que eles querem", explica Orlando Gonçalves.

Os números revelados pelo coordenador sindical à TSF apontam para uma adesão de 70% nos dois dias de greve.

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