Internamentos por Covid levam Hospital de Faro a fazer menos cirurgias programadas

Administração do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) admite ter falta de camas para internar doentes. Hospital de Faro foi hoje visitado pela Ordem dos Médicos.

"Entre internamentos normais e Cuidados Intensivos (CI) temos cerca de 70 doentes internados", contabiliza a administradora do CHUA. Ana Varges Gomes admite que "isto já começa a fazer alguma interferência na atividade do dia-a-dia".

"Sobretudo na produção adicional, no que estávamos a fazer para recuperar listas de espera, neste momento já começa a ter algumas limitações", afirma. " Continuamos a operar, a fazer consultas, a fazer tudo só que temos que ir doseando porque temos que ter camas para deitar os doentes".

A acrescentar a esta falta de camas, a administradora lembra que ainda tem casos de doentes internados que deviam ser transportados para apoios de retaguarda, como lares ou cuidados continuados, mas não há respostas sociais que cheguem.

Serviços de Pediatria e Obstetrícia-Ginecologia no limite

O Conselho Regional do Sul da Ordem dos médicos visitou o Hospital de Faro e afirma ter encontrado uma unidade " pior do que antes da pandemia". As escalas de urgência nalgumas especialidades estão quase em rotura e são feitas à custa de muito sacrifício dos profissionais de saúde." Na pediatria temos apenas três especialistas com idades inferiores a 55 anos e por isso recorre-se a horas extras de colegas que se multiplicam para fazer bancos, de modo a impedir que o hospital não preste assistência à sua população, às crianças do sul do País". Como exemplo Alexandre Valentim Lourenço, o representante da região Sul na Ordem, fala do esforço de dois médicos durante o mês de dezembro. "Vão fazer entre eles 19 noites, isto quer dizer que há muito já ultrapassaram o limite".

A Ordem defende que só dando mais e melhores condições será possível cativar e manter os médicos no CHUA. A administradora deste Centro Hospitalar admite que não tem soluções à vista e considera que o Hospital de Faro não pode responder a todas as solicitações.

Ana Varges Gomes defende que a população deve procurar outros meios para casos que não são urgentes. Só num dia chegamos a atender no Centro Hospitalar 250 crianças na urgência", afirma." Pedimos às pessoas para nos ajudarem e terem algum respeito por este esforço e utilizarem o que são os canais normais, a Saúde 24, os Centros de Saúde, os serviços de urgência básica".

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