Investigadores tentam eliminar no Algarve mosquito que transmite dengue

O Instituto Ricardo Jorge em colaboração com a ARS do Algarve está a levar por diante um trabalho pioneiro no País.

No laboratório de Saúde Publica Laura Ayres o investigador Hugo Osório mostra os mosquitos que chegaram de uma fábrica-laboratório em Itália. É lá que, através de radiação, os insetos são esterilizados e depois enviados de avião para Portugal." Aqui vêm mosquitos marcados a cor-de-rosa, aqui a amarelo", revela o investigador do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA). Explica que eles são pintados com um pó fluorescente para que se distingam de todos os outros.

Nestes estudo piloto e único em Portugal os investigadores estão a utilizar a técnica SIT, que consiste em libertar mosquitos benéficos não picadores (machos estéreis) que, ao acasalarem com as fêmeas, inviabilizam novas gerações. Durante três semanas consecutivas as equipas andaram no terreno a lançá-los no meio ambiente. A partir destes insetos "os ovos que forem produzidos são estéreis e assim, através de um controlo biológico conseguimos controlar e suprimir a população natural dos mosquitos", afirma o biólogo.

Os insetos estéreis foram colocados em 40 pontos numa área de 40 hectares, na zona de Gambelas, no concelho de Faro, onde foi detetado o mosquito tigre asiático, Aedes albopictus.

"Este é um mosquito invasor e que está associado a surtos de doenças como a dengue, zika e chikungunya, daí que é uma espécie que preocupa a saúde pública", revela a coordenadora do projeto da equipa de saúde pública da ARS do Algarve. Nélia Guerreiro afirma que " se a sua densidade começar a aumentar, é provável que comecem a surgir casos de doença". Mas, por enquanto, desde que o mosquito apareceu em 2018, essas situações ainda não aconteceram. No entanto o mosquito tigre asiático já apareceu em vários locais do Algarve. Começou por surgir em Loulé, está agora no concelho de Faro, na zona de Gambelas e já se encontra também em Tavira.

Os investigadores acompanham a situação desde 2018, altura em que apareceu o primeiro espécime deste mosquito. "Estamos a monitorizar porque precisamos de ter um histórico, perceber como é que eles se comportam, em que alturas estão mais ativos", explica a investigadora.

" É essencial as pessoas perceberem que estes mosquitos estéreis que são libertados não picam", sossega Hugo Osório.

Depois de terem libertado os mosquitos no meio ambiente os técnicos voltaram ao terreno passados alguns dias para tentar apanhá-los e continuar o estudo. Querem verificar quanto tempo é que eles sobrevivem, até que área conseguem voar e se o modelo está a resultar. Dirigem-se em equipas de duas pessoas para o sítio de Gambelas para apanhar os insetos, ou com armadilhas, ou com um aparelho para aspirar insetos. Nélia anda entre as folhagens com um aspirador e vai conseguindo caçar alguns. " O facto de eles estarem cá significa que estão a sobreviver, o que é bom", diz concentrada enquanto apanha os pequenos seres." E se apanharmos machos estéreis marcados, longe deste ponto, significa que eles têm uma boa capacidade de dispersão", avança

A verem voar ao seu lado mosquitos pintados com cores fluorescentes será que as mosquitos-fêmeas não acham estranho? Os investigadores riem mas não sabem responder à pergunta. Hugo Osório ensaia uma resposta."Se a percentagem de ovos estéreis aumentar, é possível que as fêmeas não achem estranho", afirma a rir o investigador. "Significa que os machos estéreis são muito machos e que têm competitividade em relação aos machos selvagens", conclui.

O projeto decorre no âmbito da Rede Nacional de Vigilância de Vetores (REVIVE).

É financiado pela Agência Internacional de Energia Atómica e envolve vários países europeus.

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