Ir ao Espaço mais vezes e com menos custos. As respostas sobre o voo da SpaceX

O lançamento realizado pela empresa de Elon Musk este sábado abre as portas a uma nova era da exploração espacial.

Vamos poder fazer mais viagens, de forma mais barata, com maior regularidade e com um mercado mais competitivo. No dia em que a SpaceX enviou dois astronautas para a Estação Espacial Internacional (EEI) a partir de solo norte-americano, o o coordenador nacional da Sociedade Planetária, Miguel Gonçalves, explicou na TSF o significado desta viagem para o mundo, para a Humanidade e para o que podemos fazer na exploração espacial.

Antes de tudo, é de reconhecer que este "é um dia de orgulho americano, é o deixar de estarem dependentes dos russos para voltar ao Espaço, utilizando as suas próprias cápsulas e a partir do seu próprio solo".

Mas mais do que um dia de orgulho para os Estados Unidos, esta "é uma conquista também para a exploração espacial", com a SpaceX a "revolucionar" a forma como a humanidade pode ir ao espaço: "Temos agora mais instrumentos e uma forma até mais acessível em termos financeiros."

"A SpaceX não só ganha a competição com a Boeing para ver quem chega primeiro ao espaço de uma forma tripulada, mas também com um preço muito mais acessível", nota Miguel Gonçalves.

Nesta corrida, a NASA está também a desenvolver os seus próprios foguetão e cápsula, "um elefante branco" no orçamento da agência espacial norte-americana, mas a SpaceX acaba por fazê-lo "num tempo recorde", apesar do atraso de três anos face ao que a NASA tinha pedido.

A empresa de Elon Musk, "aprendeu muito com os seus erros" e acabou por montar uma cápsula "tecnologicamente muito superior às que fomos conhecendo até agora".

Este serviço pode agora ser providenciado "não apenas aos Estados Unidos, porque estamos a falar de uma empresa privada, que vai colocar ao serviço de outras empresas e nações a sua tecnologia".

Esta é uma "boa notícia para a exploração espacial", porque os "sonhos espaciais" só podem ser concretizados "se isso também for economicamente mais fácil de atingir".

Do turismo espacial à investigação de ponta

"Se isto fosse um jogo de futebol, ainda nem chegámos ao intervalo." A metáfora futebolística escolhida por Miguel Gonçalves serve para lembrar que "vimos uma empresa que conseguiu provar que tem capacidade de ter um foguetão que consegue desprender-se da sua cápsula tripulada com sucesso para chegar à Estação Espacial Internacional.

Mas, 19 horas depois do lançamento, há outro momento "crítico": o de tentar perceber se a forma automática de ligação da cápsula à EEI vai ter sucesso.

Miguel Gonçalves confessa-se "ansioso" por saber que "o regresso à Terra vai ter o mesmo sucesso". Só aí é que o jogo terá acabado e poderemos dizer que "pode ser uma realidade mais tangível ir ao espaço em Turismo Espacial".

Mas o que é o turismo espacial? O cidadão comum, explica Miguel Gonçalves, estará a pensar que "isto não interessa muito, não é para mim, é para os ricos".

A verdade é que "vamos ter ainda passagens de turismo espacial que não estão acessíveis ao bolso de qualquer um de nós". Mas ir ao Espaço de forma mais barata "toca-nos de uma forma mais íntima".

"Temos, a 400 km de altitude, a EEI que faz investigação científica e médica que se traduz em melhorias para nós aqui, na Terra", explica. Com um sistema "mais rápido, frequente e barato de irmos lá acima", será possível que farmacêuticas - por exemplo - possam colocar laboratórios em órbita "para fazer investigação de medicamentos novos e revolucionários em condições de microgravidade."

Hoje em dia "já conhecemos novas terapias no cancro ou Parkinson que vêm de coisas testadas na EEI".

Abrem-se as portas do Espaço

"Isto também é concorrência." O lado económico da exploração espacial não pode ser ignorado e Miguel Gonçalves lembra que estes voos "fomentam a concorrência com outras empresas privadas".

"Vamos assistir a cada vez mais empresas a disputar um mercado fornecendo viagens mais económicas a quem as procura", sublinha.

O voo de Gagarin já foi há tanto tempo...

"É interessante como falamos da década de 1960 e ela parece estar tão distante de nós." Foi em 1961 que o russo Yuri Gagarin se tornou no primeiro ser humano a viajar pelo Espaço.

"Na escala de tempo humano, já parece ter sido há muito, muito tempo", reconhece o coordenador nacional da Sociedade Planetária. Mas há um pormenor: "Somos uma espécie que só há pouco tempo teve acesso, através do seu génio, a tecnologia de ponta."

Por isso, todos estes "pequenos passos" - recordando as palavras de Neil Armstrong ao caminhar na Lua - devem ser "sustentados" para que o "grande passo" de fazer da "Humanidade uma espécie cada vez mais virada para a exploração do Espaço" esteja cada vez mais perto.

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