"Já conseguimos não pensar tanto na morte"

A unidade de Cuidados Intensivos começa a ter, de novo, o tão necessário tempo para cuidar de quem precisa.

"Óbitos: +2." É este o número que se lê no boletim epidemiológico desta terça-feira relativo à Covid-19. Ana Pinto, enfermeira numa unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de Santa Maria, confessa que os profissionais de saúde começam a ficar mais tranquilos com a diminuição do número de vítimas mortais.

"Ficámos muito contentes e queremos é manter estes números assim", conta à TSF. Acima de tudo, estes profissionais querem trabalhar como trabalham antes.

"Hoje, por exemplo, conseguimos fazer reabilitação de dois doentes. A nossa sala parecia um ginásio. Conseguimos reabilitar, fazer videochamada, já conseguimos muito mais tranquilamente estar junto dos nossos doentes, que era o que habitualmente nos cuidados intensivos fazíamos", explica. É uma quase normalidade que representa uma grande "vitória".

A morte é o que os profissionais de saúde querem "sempre evitar". Agora, sentem que já conseguem, "com calma, recuperar essas vidas e não pensar tanto na morte, mas sim na recuperação dos doentes".

"É, sem dúvida, o nosso objetivo. Finalmente estamos a conseguir finais felizes e conseguir recuperar os nossos doentes", sublinha Ana Pinto.

A enfermeira, que trabalha há um ano naquela que foi a primeira unidade de Cuidados Intensivos, dedicada em exclusivo à Covid no Hospital de Santa Maria, admite que já se notam grandes alterações no serviço, mas ainda assim não é possível esquecer o que aconteceu nos últimos dois meses.

"Nós tivemos momentos de grande pressão, mas as altas dos nossos doentes que estão cá há mais tempo são sempre pequenas conquistas e são sempre momentos de grande impacto."

Ana Pinto sublinha que "ainda não se pode dizer que já estamos relaxados, ainda temos doentes a precisarem de muitos cuidados, mas só o facto de sabermos que não temos outros doentes à espera já nos dá mais tempo para termos cuidados personalizados. Os doentes estarem fortes, com esperança e com o apoio de toda a família faz uma grande diferença."

Em Portugal, morreram 16.845 pessoas dos 821.104 casos de infeção por SARS-CoV-2 confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde. Há 129 pessoas internadas em unidades de Cuidados Intensivos.

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