Reabertos 22 balcões "Nascer Cidadão" após pandemia ter deixado dezenas de bebés por registar

O Ministério da Justiça sublinha que, desde a reabertura gradual dos balcões "Nascer Cidadão" até à presente data, foram efetuados cerca de mil registos de nascimento nestes balcões.

O Ministério da Justiça adianta que já foram reabertos 22 balcões. De acordo com os dados avançados pela tutela à TSF, até final da próxima semana prevê-se um total de 41 balcões abertos (mais 19 do que os reabertos até agora).

Questionado pela TSF, o Ministério da Justiça sublinha que, desde a reabertura gradual dos balcões "Nascer Cidadão" até à presente data, foram efetuados cerca de mil registos de nascimento nestes balcões.

Ficam por responder questões como onde foram reabertos estes balcões e se o balcão de Faro, que foi o ponto de partida para o problema, já reabriu.

O alerta soou no Hospital de Faro. Vários bebés, nascidos durante a pandemia, não foram registados pelos pais. Tratavam-se, sobretudo, filhos de imigrantes, a quem se perdeu o rasto, com o encerramento do balcão "Nascer Cidadão".

As campainhas de alarme soaram quando o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge revelou os dados mais recentes do teste do pezinho.

Nos primeiros três meses do ano, registou-se uma descida de nascimentos (18226), para o valor mais baixo desde 2015.

Os pediatras no Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) estranharam os números. Compararam com os partos realizados no Hospital de Faro e concluíram que os dados não batiam certo.

A pista foi seguida até se perceber que vários bebés não fizeram o teste do pezinho nem a vacina da BCG, nos centros de saúde.

Mais grave: uma fonte do Hospital de Faro alertava que além da "fuga" ao teste do pezinho, não existia qualquer registo dessas crianças nascidas durante o período mais crítico da pandemia. Tratava-se de bebés indocumentados, aos quais se perdeu o rasto e, não estando registados, poderiam, no limite, ser alvo de tráfico ou outro tipo de crimes e violação dos direitos humanos.

Crianças que não se encontram registadas correm "um enorme risco"

O presidente do Colégio de especialidade de Pediatria da Ordem dos Médicos apela a que se recupere o rasto das crianças que não foram registadas quando os balcões Nascer Cidadão estavam encerrados. Jorge Amil Dias não esconde a preocupação com o estado de saúde desses bebés, apelando a que se "corrijam eventuais desvios que ainda possam estar a existir, mas essencialmente para que se recuperem os casos que tenham sido perdidos, porque seguramente que o risco que estão a correr é maior".

Jorge Amil Dias alerta que estas crianças que não se encontram registadas correm um "enorme risco" e enumera um conjunto de procedimentos que não estão a cumprir.

"Há dezenas ou centenas de crianças que não terão feito o rastreio metabólico, que não terão recebido a vacina do BCG sempre que provenham de comunidades onde esse risco está a aumentar, poderão não estar a receber as vacinações do Plano Nacional de Vacinação, não há monitorização do seu estado nutricional, do crescimento, do desenvolvimento daquilo que são as consultas de saúde infantil que são consultas de rastreio e prevenção de anomalias", explica.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de