Já há portugueses candidatos a astronautas da Agência Espacial Europeia

São, nesta altura, seis, as pessoas que já estão a ser avaliadas no Centro de Medicina Aeronáutica da Força Aérea Portuguesa (FAP). É neste centro que, todos os dias, é garantida a saúde dos pilotos e outro pessoal da FAP. Em nome da segurança de todos.

A Agência Espacial Europeia (ESA) lançou recentemente um concurso para encontrar novos astronautas, algo que não acontecia desde 2009. Cerca de um mês depois, o diretor do Centro de Medicina Aeronáutica (CMA) da Força Aérea Portuguesa, Pedro Reis, revela à TSF, que já há seis candidatos a serem avaliados. São todos licenciados, com idades inferiores a 50 anos, o limite de idade que a ESA impõe para as candidaturas, e, entre eles, também há pilotos-aviadores.

É a primeira fase de um processo de seleção que pode estender-se durante 18 meses. Nesta fase, os critérios ainda são bastante abrangentes e o CMA é a entidade que, em Portugal, tem competência para emitir um primeiro certificado que garante que os candidatos reúnem todas as condições necessárias para entrarem no concurso.

Esse certificado regista as características de saúde dos aspirantes a astronautas. Passam por uma variedade de análises clínicas e exames médicos de diversas especialidades (oftalmologia, cardiologia, etc) e, se conseguirem luz verde, avançam, então, para as fases seguintes, já a cargo da ESA.

Reagir em condições adversas extremas

É no Centro de Medicina Aeronáutica, que funciona junto do Hospital das Forças Armadas, em Lisboa, que é avaliada a saúde dos candidatos à Força Aérea e também de alguns aspirantes a pilotos civis. É também lá que é verificada, com regularidade, as condições sanitárias de todos os pilotos da FAP, bem como pessoal de outras especialidades.

Pedro Reis, o diretor do CMA, explica que não se trata de "medicina curativa. Pretende tratar do recrutamento e seleção das pessoas, porque têm que ter características físicas e psicológicas específicas, já que a exigência é grande; numa fase posterior, há uma verificação regular que, no caso dos pilotos-aviadores da Força Aérea, é anual... em que a sua aptidão aeromédica é verificada aqui".

Para dar asas à segurança, todos passam por avaliações curriculares, exames médicos em variadas especialidades e treinos intensivos em diversos simuladores. O objetivo é treinar a resposta física a condições adversas extremas que existem no voo em grande altitude. Ambientes em que a pressão é muito baixa e em que há pouco oxigénio.

Na câmara hipobárica ou num cockpit simulado, os candidatos podem sentir "dor nos seios perinasais, taquicardia, visão diminuída, dificuldade em fazer pequenas contas de somar", resultado de alterações de consciência, acrescenta Sofia Almada, tenente-coronel, e médica oftalmologista.

Outro simulador reproduz ambientes em que podem também surgir alguma desorientação espacial. Num cockpit simulado, que se movimenta de forma semelhante ao de um avião "a sério", os pilotos ficam sem instrumentos de voo e são "obrigados a aterrar visualmente, para que percebam que, quando damos primazia ao aparelho visual, a probabilidade de erro aumenta significativamente".

A explicação é da primeiro-sargento Mara Pardal que, numa torre de controlo simulada, cria várias situações que potenciam a desorientação: "Pistas estreitas, pistas largas, com declive positivo, com ​​​​​​​declive negativo, entrada inadvertida em banco de nuvens, aterragens em cenários mais complicados." Mara Pardal é fisiologista de voo, ou seja, estuda as reações do corpo em condições adversas extremas.

Outro exemplo é a cadeira ejetável que existe em todos os caças F16 ou uma outra cadeira, a de Barany, onde são testadas situações que mexem com o ouvido, que controlam o equilíbrio. Há também uma sala praticamente toda às escuras, para ensaiar o voo sem luz ou com muito pouca claridade.

Ao fundo, há uma maquete com ambientes diversos: campo, cidade, mar, pista de aviação, entre outros. Mara Pardal explica que os pilotos têm de voar com uma espécie de "óculos especiais", que lhes permitem ver melhor e mais além. Algo muito importante, por exemplo, em missões de salvamento, que acontecem, quase todas, à noite.

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