"Já não se justifica." Familiares de doentes contestam permanência de regras apertadas nas visitas

No Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) só é permitida uma e sempre a mesma visita por paciente.

"Telefonam e dizem para a vir visitar e dar-lhe amor. Chegamos aqui e somos barrados", reclama Maria à porta do Hospital de Faro. Tem a mãe internada naquela unidade hospitalar, muito debilitada. Já a avisaram para esperar o pior, mas visitar os pacientes não está a ser fácil para os familiares. Quanto aos amigos, nem se fala. A queixa de Maria é semelhante à de muitas outras pessoas que têm os seus familiares internados no Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA). Nos Hospitais de Faro e Portimão, "as visitas só podem ser feitas com marcação prévia, têm a duração máxima de 30 minutos e, preferencialmente, tem de ser sempre a mesma pessoa", admitiu a administração hospitalar numa resposta escrita à TSF.

Maria Amélia, que ficou à porta, e tem o cunhado internado há um mês, garante que "às vezes não se consegue marcar, o telefone está sempre impedido". "Chegamos aqui e não nos deixam entrar", lamenta. E quer o quarto tenha uma, duas ou cinco camas, só é permitido um visitante por enfermaria.

Ana está sentada num banco no espaço exterior do hospital. Tem um ar cansado. Confessa que pouco dorme porque tem a sua filha internada no serviço de pediatria há sete dias. Lamenta que, da família, só ela a possa ver. "Só a mãe é que lá pode estar, só pode ter uma única visita e sempre a mesma e eles não dão condições aos pais para acompanhar as crianças", assegura.

Ao impor estas regras gerais, a administração hospitalar alargou o horário de visita que pode ir das 14h00 às 20h00.

Paulo deslocou-se à unidade de Faro numa tentativa de ver a avó que não terá muito mais tempo de vida. Quer entrar acompanhado pelo irmão, e desta vez está disposto a tudo. "Temos que fazer barulho, porque as medidas que eles estão a adotar para vermos a família, não se justificam", afirma perentório. Antes de se dirigir para a entrada afirma ainda: "O Covid aqui é só para o que lhes convém, eu não digo que não exista, mas neste momento é desculpa para terem menos trabalho", assegura.

Em tempos de pré-pandemia a sala de espera das visitas no Hospital de Faro encontrava-se sempre cheia com familiares e amigos que, à vez e com senha, pretendiam ver os doentes. Agora já nada é igual e o que se encontra é uma sala vazia.

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