Johnson & Johnson garante que a sua vacina é eficaz contra a variante Delta

Resposta da vacina de dose única à variante pode durar pelo menos oito meses.

A Johnson e Johnson anunciou esta sexta-feira que a sua vacina de dose única contra Covid-19 é eficaz contra a variante Delta, detetada na Índia e particularmente contagiosa, com uma resposta imunológica que pode durar pelo menos oito meses.

De acordo com um estudo realizado pelo grupo americano a um pequeno grupo de oito pessoas que receberam a vacina produzida pela Janssen, farmacêutica do grupo, os anticorpos e as células do sistema imunológico neutralizaram a variante Delta.

Um segundo estudo envolvendo 20 pacientes vacinados no Beth Israel Medical Center em Boston, nos Estados Unidos, produziu os mesmos resultados.

Os dados dos estudos foram enviados para a plataforma de "pré-publicação" de artigos científicos BioRxiv, onde os cientistas podem submeter os seus trabalhos antes de uma possível publicação numa revista científica.

"Acreditamos que a nossa vacina oferece proteção duradoura contra a Covid-19 e permite a neutralização da variante Delta", disse Paul Stoffels, diretor científico da Johnson & Johnson, citado em comunicado.

Os dados estudados ao longo de oito meses mostram que a vacina de dose única desenvolvida pelo laboratório "produz uma forte resposta de anticorpos neutralizantes", disse Mathai Mammen, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento na Johnson & Johnson.

Bons sinais na África do Sul

A vacina da J&J mostra resultados positivos na África do Sul contra as variantes Delta e Beta e a imunidade dura pelo menos oito meses, confirmaram também cientistas sul-africanos.

Em conferência de imprensa, a presidente do Conselho de Investigação Médica Sul-africano (SAMRC, na sigla inglesa), Glenda Gray, disse que os estudos realizados no país mostram uma "duração surpreendente" da resposta imunológica da formulação de dose única, embora a sua evolução deva continuar a ser monitorizada, uma vez que até agora têm dados de um período de oito meses.

"Em conclusão, a vacina da J&J funciona bem na África do Sul com a difícil variante Beta que temos. Todos os dados que vimos revelam uma boa resposta imediata e sustentada contra a variante Delta e vemos uma duração surpreendente", disse Gray.

Estes dados são apoiados tanto por estudos laboratoriais, como pelo baixo número de infeções graves detetadas entre os profissionais de saúde sul-africanos que receberam a dose única da J&J como parte de um grande estudo iniciado pela SAMRC em meados de fevereiro.

Dos quase meio milhão de pessoas imunizadas ao abrigo da iniciativa, apenas 1% ficaram infetadas e, dessas, a esmagadora maioria desenvolveu sintomas ligeiros, 4% tinham sintomas moderados e apenas 2% desenvolveram doenças graves.

Os dados compilados pela SAMRC sugerem ainda que a formulação desenvolvida pela Janssen Pharmaceuticals para a J&J "funciona melhor" contra a variante Delta, a primeira detetada na Índia, do que contra a variante Beta, identificada por peritos sul-africanos em finais de 2020, salientou Gray.

Esta notícia é especialmente encorajadora dado o rápido avanço da variante Delta na África do Sul e noutras partes de África, onde o acesso às vacinas continua a ser muito baixo (apenas 2,66% receberam quaisquer doses), disse.

A variante Delta já está presente em 13 países africanos e a sua expansão está a desencadear infeções na atual terceira vaga de covid-19 no continente, com situações muito mais críticas a nível de saúde do que as registadas no passado.

Na África do Sul, o grande epicentro da covid-19 no continente, com quase 2 milhões de infeções acumuladas e mais de 61 mil mortes, segundo dados oficiais, a variante Delta está mesmo a anular a variante Beta, que por sua vez se tinha sobreposto a anteriores variantes do novo coronavírus.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou na quinta-feira para o risco de uma nova onda da pandemia transportada pela variante Delta na Europa.

Essa variante, inicialmente detetada na Índia, é 40% a 60% mais transmissível do que a Alpha, de acordo com a OMS.

A OMS reiterou que as vacinas são eficazes contra a variante Delta, mas é necessário receber as duas doses, não apenas uma.

A variante Delta do coronavírus, que é particularmente contagiosa, deve representar 90% dos novos casos de covid-19 na União Europeia até o final de agosto, estimou o Centro Europeu para Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) na semana passada.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 3.949.567 mortos no mundo, resultantes de mais de 182,1 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença respiratória é provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de