Ataque a Alcochete. Bruno de Carvalho em silêncio no início do julgamento

Os arguidos já chegaram a Monsanto onde irá ser julgado o ataque à Academia de Alcochete. Pelo Tribunal irão passar algumas das figuras do futebol português.

Bruno de Carvalho foi dos primeiros arguidos a comparecer em Monsanto, o ex-presidente do Sporting chegou por volta das 9h30, mas recusou falar aos jornalistas. No entanto o advogado Miguel Fonseca deixou uma garantia "Bruno de Carvalho vai falar no momento que entendermos adequado."

Questionado pela pela juíza Bruno de Carvalho declarou que não quer falar nesta fase. De resto. dos 44 arguidos apenas um quis falar, Bruno Jacinto antigo Oficial de Ligação com os Adeptos (OLA).

Durante o depoimento, o antigo OLA manteve o essencial do que já tinha afirmado durante a fase de instrução do processo, gantiu que nada sabia sobre um eventual ataque a Alcochete , ou pelo menos quanto à forma como foi feito, mas sempre foi dizendo que eram normais as visitas das claques, a Alcochete, para falarem com os jogadores do Sporting.

Por isso, apesar de avisado por Tiago Silva, membro da claque juventude leonina, pensou que seria apenas uma conversa sem incidentes. Quando chegou à Academia, Bruno Jacinto deparou-se com um cenário muito diferente daquele que imaginava. Viu algumas pessoas fugirem a correr e afirmou ainda ter estado à conversa com Fernando Mendes antigo líder da claque leonina.

Os restantes arguidos foram chegando a conta-gotas e esperaram no exterior com pulseiras electrónicas visíveis. Aníbal Pinto, advogado de quatro dos arguidos, explicou que espera ver alteradas as medidas de coação já no arranque do julgamento. "Estou convencido que as medidas de coação possam vir a ser alteradas. Será das primeiras decisões do colectivo de juízes."

A um de agosto, as medidas de coação foram alteradas, quando o juiz de instrução decidiu que todos os arguidos seguiam para julgamento. Apenas dois permanecem em prisão preventiva - Nuno Mendes "Mustafa" e Abel Camará que estava com pulseira electrónica mas tentou fugir.

Pinto da Costa esperado em Monsanto

Depois de ouvidos os arguidos que quiserem falar no arranque do julgamento, é a vez das testemunhas e por Monsanto devem passar Frederico Varandas, presidente do Sporting, Jorge Nuno Pinto da Costa, presidente do FC Porto e José Sousa Cintra, ex-presidente do Sporting são algumas das testemunhas arroladas por Bruno de Carvalho.

As sessões, ao ritmo de três por semana, estão marcadas até fevereiro de 2020, mas a sala está reservada até abril.

O processo pertence ao Tribunal de Almada, mas por "questões de logística e de segurança" realiza-se em Monsanto, em Lisboa, explicou anteriormente à agência Lusa fonte judicial, e terá como presidente do coletivo de juízes Sílvia Pires.

Em 01 de agosto, o juiz de instrução criminal Carlos Delca pronunciou (decidiu levar a julgamento) todos os arguidos nos exatos termos da acusação do Ministério Público (MP), deduzida pela procuradora Cândida Vilar, depois de vários arguidos requererem abertura de instrução, fase facultativa que visa decidir se o processo segue e em que moldes para julgamento.

Os aruguidos

Na decisão instrutória, este juiz determinou que todos os arguidos que se mantinham em prisão preventiva passassem para prisão domiciliária (OPHVE), exceto o líder da claque Juventude Leonina, 'Mustafá', que continua em prisão preventiva.

Com Obrigação de Permanência na Habitação, com Vigilância Eletrónica (OPHVE), permanecem 36 dos 44 arguidos, depois de Elton Camará ter cortado a pulseira eletrónica, o que levou um juiz a ordenar a prisão preventiva deste arguido.

Bruno de Carvalho, que até esse dia estava sujeito à medida de coação de apresentações diárias às autoridades e ao pagamento de uma caução de 70.000 euros, passou a estar obrigado a apresentar-se quinzenalmente.

A acusação do Ministério Público (MP), assinada pela procuradora Cândida Vilar, conta que, em 15 de maio de 2018, a equipa de futebol do Sporting foi atacada na academia do clube, em Alcochete, distrito de Setúbal, por elementos do grupo organizado de adeptos da claque Juventude Leonina e do subgrupo Casuais (Casuals), que agrediram técnicos, jogadores e 'staff'.

Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e Mustafá também por um crime de tráfico de estupefacientes.

Aos arguidos que participaram diretamente no ataque à academia, o MP imputa-lhes a coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Estes 41 arguidos vão responder ainda por dois crimes de dano com violência, por um crime de detenção de arma proibida agravado e por um crime de introdução em lugar vedado ao público.

Para a procuradora Cândida Vilar, que viu a acusação do MP confirmada pelo juiz de instrução criminal Carlos Delca, o então presidente do clube, Bruno de Carvalho, Mustafá e Bruno Jacinto estavam a par do plano e "nada fizeram" para impedir o ataque.

"Bruno Jacinto, Bruno de Carvalho e Nuno Mendes [Mustafá] conheciam o plano delineado pelos restantes primeiros 41 arguidos e determinaram-nos à prática dos crimes de ameaça, ofensa à integridade física e sequestro", lê-se na acusação.

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