"Junta na Freguesia" para acabar com resíduos eletrónicos nas ruas. Saiba como funciona
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"Junta na Freguesia" para acabar com resíduos eletrónicos nas ruas. Saiba como funciona

A ideia é da ERP Portugal e o objetivo é incentivar as populações a entregarem os velhos equipamentos elétricos e eletrónicos nas juntas de freguesia para serem devidamente encaminhados e reciclados. E há prémios para os municípios que mais resíduos recolherem.

Tem equipamentos elétricos e eletrónicos que já não usa ou que estão avariados? É hora de os juntar na freguesia. Estima-se que apenas entre 17 e 20 por cento destes equipamentos sejam devidamente recolhidos e, por isso, o "Junta na Freguesia", projeto lançado pela ERP (European Recycling Platform) Portugal, entidade gestora de resíduos, quer contribuir para que este tipo de lixo não acabe nas ruas, algo que constitui um problema "grave" para o ambiente em termos de poluição.

O conceito é simples: as juntas de freguesia candidatam-se ao projeto por telefone, e-mail, ou através do website e, depois, com a ajuda das campanhas de divulgação da ERP Portugal, os cidadãos podem contactar as juntas da área de residência para entregarem os seus equipamentos velhos. A etapa seguinte passa pela comunicação entre as juntas de freguesia e a entidade gestora, que procede à recolha dos resíduos, encaminhando-os para o destino final.

Em entrevista à TSF, Rosa Monforte, responsável pelo projeto, explica que apesar de existirem sete mil pontos de recolha já espalhados por todo o país, estes "acabam por passar despercebidos". Assim, o "Junta na Freguesia", que pretende "estar próximo" das populações, acaba por ser um "canal" para que "a pessoa possa entregar na junta de freguesia todos os equipamentos pequenos ou solicitar a recolha de um grande equipamento". Um projeto que marca a diferença por querer tornar esta recolha "muito mais local", dada a "grande proximidade das juntas de freguesia à comunidade".

Pode ser entregue qualquer tipo de equipamento, desde os mais pequenos aos maiores, conhecidos por "monstros domésticos". Rosa Monforte dá exemplos concretos dos resíduos que estão incluídos neste programa: "Frigoríficos, arcas e ares condicionados, televisões, monitores, lâmpadas, máquinas de lavar, fogões, computadores, telemóveis, impressoras", e também pilhas.

A diretora-geral da ERP Portugal afirma que existe no nosso país um problema de "acumulação doméstica" em que as pessoas "utilizam centenas de equipamentos elétricos e eletrónicos no dia a dia e nem se apercebem". "Depois, no fim, quando se avariam não sabemos o que havemos de fazer." É aí que o "Junta na Freguesia" entra em ação: "O objetivo é aumentarmos os quantitativos de recolha, garantir que estes resíduos são recolhidos de uma forma seletiva e podem ser devidamente separados nas diversas categorias, porque não são todos iguais e tratados da mesma forma. Existem resíduos que são perigosos, que têm substâncias nocivas para a saúde e que é obrigatório a sua descontaminação", detalha.

Por outro lado, Rosa Monforte lembra que dentro destes equipamentos "há uma quantidade enorme de matéria-prima", como metais e plásticos que podem ser aproveitados se forem devidamente reciclados. "Se não chegarem até nós, porque são deixados junto de um contentor, já sabemos que há alguém que passa em dois minutos e leva ou corta os componentes que são os mais valiosos, mas que também são os que provocam maior dano ambiental. O que queremos é sensibilizar a população para a importância de eles próprios poderem ajudar e chamá-los à sua responsabilidade", sustenta.

Muitos destes resíduos acabam, de facto, nas ruas, algo que, além da poluição, tem "um impacto visual". "Ninguém gosta de passar e ver o lixo espalhado", reconhece, alertando para os danos que o abandono destes equipamentos pode ter no ambiente: "As pilhas são tóxicas e todos nós sabemos disto. Babam e é perigoso, têm metais pesados. Se aquilo entra na terra vai contaminar os lençóis freáticos e os rios. Vai contaminar tudo, e se nós deixarmos as coisas espalhadas também perdemos a possibilidade de recuperar as matérias-primas que estão naqueles tecidos."

Tendo sempre em mente a sustentabilidade e o ambiente, Rosa Monforte deixa um incentivo para as juntas de freguesia e as populações aderirem à iniciativa: "Não custa nada. A diferença está no nosso gesto. Parece que não é nada entregarmos qualquer coisa, mas a verdade é que as vezes estão em casa e não sabemos o que lhes havemos de fazer, temos este problema de acumulação doméstica. Ao entregar na junta podemos contribuir para que depois os equipamentos sejam recuperados e tratá-los devidamente."

O "Junta na Freguesia" arrancou a 1 de setembro de 2022, mas a diretora-geral da ERP Portugal avança que já contam com "uma adesão enorme e muitos pedidos de norte a sul do país". Até ao fim do ano, decorre a "fase um" e os resultados serão avaliados no início do próximo ano. A partir de 1 de janeiro de 2023, já começa a "contabilizar para o ano seguinte".

A entidade gestora de resíduos vai premiar, monetariamente, as 20 juntas de freguesia que mais equipamentos recolherem. "Vamos oferecer um valor para se fazer uma ação social e é a junta que vai decidir o que fazer, é uma verba que pode ser investida na comunidade."

"É uma forma de incentivar as juntas a promoverem este tipo de recolha" e "vamos compensá-las com um valor por cada tonelada". Há também "um prémio final" para a "campeã de recolhas" no valor de 2500 euros.

Além disso, através de diversas parcerias, a entidade gestora quer também oferecer um equipamento de cada categoria, ou seja, monitores, televisões, equipamentos de grandes e pequenas dimensões, equipamentos de IT, carregador de pilhas, lâmpadas e iluminação, "a quem recolher mais dessa mesma categoria". "Oferecemos um prémio específico para essa junta", afirma.

Além do "Junta na Freguesia", a ERP Portugal em parceria com a Chicco promove outra iniciativa semelhante. Se tem crianças em casa pode aproveitar para entregar, até ao dia 28 de setembro, em qualquer loja Chicco, pequenos equipamentos elétricos e eletrónicos, como brinquedos a pilhas, esterilizadores, varinhas mágicas ou até relógios e telemóveis.

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