Juntas querem "reforma administrativa" para resolver falta de recolha de lixo em Lisboa

Presidentes da Junta de Freguesia da Misericórdia, Santa Maria Maior e Alvalade alertam que são precisos mais meios e equipamento para ajudar na limpeza.

A presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia, Carla Madeira, sugere que se faça uma reforma administrativa na cidade de Lisboa para resolver a falta de recolha de lixo. A socialista admite que, nessa reforma, até poderiam ser as juntas de freguesia a fazer alguma da recolha e não só a limpeza das ruas, como está atualmente definido.

"A recolha é da parte da Câmara, mas se o presidente Carlos Moedas quiser pensar numa nova delegação de competências e delegar parte da recolha do lixo às juntas de freguesia, muitas estariam disponíveis para fazer isso. Tivemos uma reforma administrativa há dez anos, podemos pensar numa nova para a cidade de Lisboa em que parte da recolha do lixo seja delegada nas juntas de freguesia. Pode ser que, em algumas zonas da cidade, até comece a funcionar melhor. Poderia ser interessante analisar, qualquer presidente de junta quer ver o seu território mais limpo", explicou à TSF Carla Madeira.

Questionada sobre as declarações de Carlos Moedas ao início da tarde desta quarta-feira, em que o presidente da Câmara de Lisboa sublinhou que as juntas já tinham recebido 18 milhões de euros para ajudar na limpeza, Carla Madeira afirma que não há qualquer novidade nesse anúncio.

"Esse montante já vinha do tempo de Fernando Medina, não houve nada de novo. O que aconteceu foi que, no mês de julho, decidiu-se celebrar um contrato com as juntas para 2022 exatamente igual ao que vinha do passado. Essas verbas estão relacionadas com esta delegação de competências. É preciso ver que a única competência que a Câmara delegou nas juntas foi a recolha à volta dos ecopontos e estamos a falar de uma verba de 150 mil euros por ano", esclareceu a presidente da Junta de Freguesia da Misericórdia.

A responsável alerta que são precisos mais meios e equipamento para ajudar na limpeza e reconhece que sempre houve falhas na recolha, mas nunca como agora.

"Quem está no terreno é que se apercebe da importância dessas tarefas serem feitas nas horas em que é suposto. Veja o que é ter uma equipa de varredura e lavagem em pleno Bairro Alto às 7h e ter o lixo todo por recolher, não é possível. Isso tem sido uma constante, os cantoneiros da junta de freguesia chegarem às zonas de frequência noturna para limpar logo pela manhã e a recolha ainda não está feita", afirmou.

Quanto à contratação de 190 trabalhadores em setembro, anunciada por Moedas, Carla Madeira afirma que já deveria ter sido feita antes de os problemas aumentarem e que só vai ficar descansada quando a recolha voltar à normalidade.

"Não sei se há meios suficientes para isso"

Quem concorda com Carla Madeira é o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, desde que com essa reforma venham mais meios. O socialista confessa à TSF que para ajudar a resolver alguns dos atuais problemas a junta chega a fazer a recolha.

"Voluntariamente vamos fazendo isso com carros pequenos, os nossos meios, sem esquecer que temos outras prioridades como varrer. Isso certamente ajudava, mas não resolve o problema se a Câmara não fizer a parte dela, que é a mais pesada. A Câmara é que tem carros compactadores, especialidade na recolha do lixo e os depósitos. Fazemos uma volta para recolher lixo e depois demoramos quase duas horas para entregar o lixo à Câmara porque é fora daqui, é longe, está cheio e às vezes mandam-nos para trás", revela Miguel Coelho.

Os problemas da falta de recolha de lixo estendem-se também à freguesia de Alvalade. O presidente da junta, o social-democrata José Amaral Lopes, afirma à TSF que a ideia de colocar as juntas a fazer a recolha até pode ser boa, mas se não for acompanhada de meios de nada vale.

"A lógica parece dizer que sim, faz sentido que as pessoas se responsabilizem pelo espaço todo. O problema é que temos de ser intelectualmente sérios. Se todas as juntas tiverem camiões de recolha de lixo, camiões de lavagem de rua com jatos de água, etc., somos 24, não sei se há meios suficientes para isso", defende José Amaral Lopes.

O responsável acrescenta que, das conversas que tem tido com Carlos Moedas, a Câmara tem feito o possível para resolver a situação.

"A Câmara Municipal de Lisboa, daquilo que foi falado entre os presidentes de junta e o próprio presidente de Câmara, está muito disponível para adotar novos mecanismos de maior eficácia. Há matérias em que o presidente da Câmara já admitiu que pode não ser compreensível porque é que algumas tarefas são feitas pela junta e outras, no mesmo local, são feitas pela Câmara. Muitas vezes também é uma questão de recursos", acrescentou o presidente da Junta de Freguesia de Alvalade.

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