Lar em Matosinhos tem 42 pessoas infetadas. Investigador diz que "é natural"

Imunologista Luís Graça reforça a proteção oferecida pelas vacinas e lamenta o "azar" de Portugal ao ser confrontado com a variante Delta "demasiado cedo" no processo de vacinação.

O Centro Social Paroquial Padre Ângelo Ferreira Pinto, em Matosinhos, tem 42 pessoas infetadas com Covid-19, das quais 27 utentes e 15 funcionários, todos com a vacinação completa, confirmou hoje à Lusa o vereador da Proteção Civil.

Os infetados neste lar, no distrito do Porto, estão "todos bem", estando "sem sintomas ou sintomas ligeiros", disse José Pedro Rodrigues.

O surto neste equipamento, que tem 60 utentes e todos com a vacinação completa contra a Covid-19, foi detetado no final da semana passada, acrescentou.

Dos 75 funcionários, 15 deles infetados, apenas dois não têm a vacinação completa por indicação médica, sublinhou o vereador da CDU.

Os utentes que testaram positivo foram segregados dos restantes para reduzir o risco de contágio, adiantou o autarca.

José Pedro Rodrigues revelou que o lar já tomou precauções, estando a cumprir o plano de contingência.

"É natural" que surjam casos em pessoas com vacinação completa

O imunologista Luís Graça considera normal que surjam casos de Covid-19 em pessoas com a vacinação completa, até porque a vacina confere uma proteção elevada, mas não é eficaz a 100%.

O investigador do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes explica, na TSF, que perante a disseminação do vírus na comunidade, quanto maior for a quantidade do vírus em circulação, maior é o risco de se contrair a doença. Por isso, Luís Graça afirma que "é natural que surjam casos de doença em profissionais de saúde, em pessoas com mais de 80 anos e que têm a vacinação completa". No entanto, o imunologista sublinha que "até agora não há evidência de que estes casos sejam mais frequentes do que é esperado".

Luís Graça explica que, "se existirem cinco casos novos por dia, é altamente improvável que uma pessoa de 80 anos, vacinada, contacte com alguém que esteja infetado, mas se existirem cinco mil casos novos por dia, a probabilidade desta pessoa ser infetada aumenta".

Apesar do aumento do número de casos nos últimos dias, Luís Graça diz estar "muito otimista". O investigador sublinha que todos os dados apontam para isso: "As vacinas dão proteção, incluindo para as variantes, que são uma maior fonte de preocupação", apesar de Portugal ter tido "azar pelo facto da variante Delta ter surgido demasiado cedo em relação à cobertura vacinal da população".

Além disso, de entre todos os países europeus, é em Portugal que "existe uma maior cobertura da vacinação. Isto faz com que o nosso país, no futuro, esteja em condições muito boas para enfrentar a pandemia".

A pandemia de Covid-19 provocou pelo menos 3.996.519 mortos em todo o mundo, resultantes de mais de 184,4 milhões de casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo o balanço mais recente feito pela agência France-Presse.

Em Portugal, desde o início da pandemia, em março de 2020, morreram 17.126 pessoas e foram registados 896.026 casos de infeção, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença respiratória é provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2, detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China, e atualmente com variantes identificadas em países como o Reino Unido, a Índia ou a África do Sul.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de