Linha SOS Criança registou este ano dez casos de crianças desaparecidas

Cinco configuravam casos de fuga, três eram relativos a raptos parentais, um relativo a uma situação transfronteiriça ainda não tipificada e um outro era o caso da criança encontrada morta em Peniche.

A linha de apoio SOS Criança recebeu este ano dez apelos relacionados com crianças desaparecidas, metade dos quais relativos a fugas de casa ou de instituições, disse fonte do Instituto de Apoio à Criança (IAC).

Em declarações à Lusa, a responsável pela área das crianças desaparecidas da linha SOS Criança, Maria João Cosme, explicou que dos 10 apelos recebidos, cinco configuravam casos de fuga (três de casa e duas de instituições), três eram relativos a raptos parentais, um relativo a uma situação transfronteiriça que ainda não foi tipificada e um outro, o caso da criança encontrada morta em Peniche.

"O caso da criança Valentina, por não apresentar características especificas de nenhuma das outras tipologias em que os casos são caracterizados, acabou por ficar nos 'Perdidos, Feridos e Outros Desaparecimentos'", explicou a responsável.

Quando se assinala o Dia das Crianças Desaparecidas, a responsável disse que a situação da quarentena não trouxe riscos novos para estas crianças, mas potenciou os já existentes.

"Por exemplo, nos casos de raptos parentais, por uma questão de segurança, o pai ou a mãe pode reter o filho mais tempo do que o que está acordado", explicou.

Por admitir desde o início que o confinamento potenciava alguns riscos, a SOS Criança passou a funcionar em horário alargado (09:00/21:00) em dias úteis. Já a linha específica das crianças desaparecidas (116000) funcionava 24 horas por dia pois, a partir das 19:00, a linha é encaminhada para a Polícia Judiciária.

"Desta forma, podemos garantir que a linha 116000 dá uma resposta 24h/dia, sete dias por semana", afirmou.

Maria João Cosme disse que houve um "aumentou do número de apelos", sublinhando que "com o isolamento aumenta o instinto de fuga. Há jovens que já têm instinto de fuga, mas quando são obrigados [a ficar confinados a um espaço] há mais tendência para este comportamento", disse.

O IAC reconhece que as crianças e jovens, confinados em casa, ficaram mais pressionados e aconselhou que a retoma da normalidade possível seja feita "de forma serena e equilibrada".

"Encarem esta nova etapa da forma mais serena possível, com todas as precauções (...). É essencial existir contacto social para que emocionalmente comecemos todos a ter alguma estabilidade", sublinhou.

O IAC está "disponível para todo o tipo de apelo de crianças, jovens e adultos. Mas, principalmente, para dar voz a crianças e jovens, mais ansiosos agora com a telescola e alguns com muito trabalho e algum stress. Podem sempre ligar. Fazemos apoio psicológico via 'whatsapp', 'online' e via telefone".

Os últimos dados divulgados na semana passada pelo IAC já indicavam um "aumento muito significativo" de apelos no período de confinamento, com cerca de 700 contactos desde janeiro, dos quais quase 300 em abril.

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