Lisboa aposta demasiado em soluções temporárias para as pessoas sem-abrigo?

O tema esteve em discussão na Manhã TSF. O ex-vereador da Câmara de Lisboa para os Direitos Sociais, João Carlos Afonso, e o atual vereador, Manuel Grilo, debateram a resposta para um problema que se intensificou durante a pandemia.

Quando voltarão as pessoas sem-abrigo de Lisboa à vida normal? O ex-vereador dos Direitos Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, João Carlos Afonso, acredita que nunca. A declaração é feita num artigo de opinião assinado pelo próprio no jornal Público.

Para o antigo vereador, há uma aposta continuada em soluções de exceção, em vez da instalação destas pessoas em casas ou quartos, o que seria muito mais próximo de uma "vida normal".

Esta manhã, na TSF, João Carlos Afonso cruzou argumentos com o atual vereador dos Direitos Sociais da autarquia de Lisboa, o bloquista Manuel Grilo, sobre a solução encontrada para as pessoas em situação de sem-abrigo em tempos de emergência.

Para João Carlos Afonso, a resposta dada aquando da declaração do estado de emergência, em março de 2020, foi expedita - ainda que recorrendo a equipamentos não adequados a fins habitacionais -, mas entretanto deixou de ser aceitável.

Aquilo que o preocupa mais, apesar de tudo, é a autarquia ter acolhido uma proposta do Bloco de Esquerda para a instalação de um centro de emergência no antigo quartel de Santa Bárbara, que vai obrigar a gastar quase um milhão de euros numa solução provisória de alojamento massificado.

"A crítica é sobre esta solução e o que a cidade fez, em termos do plano municipal, para as pessoas sem-abrigo. A questão é a solução de abrigo é uma solução transitória que deverá servir para acolher as pessoas durante um curto espaço de tempo - uns dias, uma semana - e que depois permita reencaminhar para soluções mais enquadradoras e mais de acordo com a situação e a vontade de cada uma das pessoas que é recolhida", explicou João Carlos Afonso.

Em resposta, Manuel Grilo admite que houve um grande aumento de pessoas em situação de sem-abrigo e que nem sempre é possível instalar todas em casas ou quartos, apesar dessas respostas terem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos.

O atual vereador da Câmara Municipal de Lisboa garante que os pavilhões são situações provisórias.

"O pavilhão do Casal Vistoso, que a partir de certa altura foi o paradigma do acolhimento de emergência, hoje está vazio. Amanhã sairão rigorosamente os últimos [indivíduos em situação de sem-abrigo] e depois de amanhã será entregue o pavilhão. Isto é, todas as soluções de emergência são soluções transitórias", assegura Manuel Grilo.

"Agora o que vamos conseguir é uma solução transitória com um pouco mais de qualidade, porque tem segmentação, porque tem espaço suficiente para as pessoas estarem tranquilamente, porque vai ter apoio de saúde, vai ter apoio também à integração e à empregabilidade", refere o vereador, frisando que, muitas vezes, mais do que a atribuição de uma casa, é o facto de se arranjar um emprego que ajuda a terminar com a situação de sem-abrigo.

"Tem sido feito um esforço enorme ao nível da empregabilidade das pessoas em situação de sem-abrigo. Algumas destas pessoas saem da situação de sem-abrigo não por lhes arranjarmos casa, mas também por lhes encontrarmos emprego", sublinha o vereador.

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