Madeira: Albuquerque considera desnecessário aplicar medidas definidas no continente

O presidente do executivo regional da Madeira diz que se seguir este caminho vai "conseguir realizar o Natal e o fim do ano sem ter de fechar a economia".

A testagem massiva da população contra a Covid-19 na Madeira tem sido "um sucesso" e o Governo Regional considera desnecessário adotar no arquipélago os procedimentos do estado de calamidade declarado no continente, disse esta quinta-feira o presidente do executivo.

"A testagem tem sido um sucesso, apesar de muitas vezes haver alguns constrangimentos, sobretudo em algumas horas nos postos de testagem. Mas estamos a aumentar os postos de testagem", afirmou Miguel Albuquerque aos jornalistas à margem de uma visita a uma empresa de comercialização e distribuição de medicamentos de uso humano e veterinário e dispositivos médicos, no Funchal.

Questionado sobre a possibilidade de o Governo Regional adotar na Madeira os procedimentos de estado de calamidade adotados pelo Governo da República, Albuquerque afirmou: "Não vale a pena alterar a nossa resolução, tem corrido bem assim [...] As pessoas têm cumprido, usado a máscara, feito procedimentos."

"Penso que se seguirmos este caminho vamos conseguir realizar o Natal e o fim do ano sem termos de fechar a economia", sublinhou o chefe do executivo, de coligação PSD/CDS.

O governante argumentou que serão visíveis "os resultados deste esforço que tem sido feito e da colaboração de todos os madeirenses e porto-santenses" no cumprimento das decisões do Conselho do Governo da Madeira.

Desde 27 de novembro, segundo uma resolução do executivo madeirense, pode ser exigido na região teste antigénio negativo, com validade semanal, em alguns casos cumulativamente com certificado de vacinação contra a Covid-19, para acesso a vários espaços abertos e fechados, como restaurantes e ginásios.

"Acho que as coisas têm corrido muito bem", opinou Albuquerque, acrescentando que os procedimentos em vigor "podem ser adotados ao nível do estado de emergência" e que é desnecessário "estar sempre a alterar as coisas".

Sobre a não obrigatoriedade de testagem nos aeroportos para os viajantes que tenham comprovativo de vacinação, Miguel Albuquerque salientou que, sendo a Madeira uma região turística, "90% dos visitantes chegam vacinados".

Isto "significa que a Madeira tem uma capacidade de absorção calorosa dessas pessoas que movimentam a economia", enfatizou.

"A nossa prática ao longo de quase dois anos tem sido a de que fazer a testagem interna, que não traz qualquer problema, nem qualquer encargo", disse.

O governante apontou que qualquer visitante que permaneça na região mais de cinco dias acaba por ter de "fazer a testagem na mesma".

Em território continental, o Governo decretou a obrigatoriedade de apresentar um teste negativo, mesmo para os vacinados, mas os passageiros provenientes das regiões autónomas estão excluídos da medida.

Os passageiros que cheguem ao arquipélago com certificado de vacinação não precisam de apresentar teste à Covid-19, apesar de o poderem fazer caso queiram, uma medida que o Governo Regional disse que iria manter.

Segundo o social-democrata, "foi um ativo em termos de captação de turismo a circunstância de a região ter atravessado até agora a pandemia com uma imagem extremamente positiva nos mercados emissores", o que contribuiu para os meses entre julho e outubro registarem "uma afluência de turistas que há muitos anos não via".

"Esse ativo, essa forma que nós temos de projetar esta imagem positiva da Madeira é extremamente importante", declarou esta quinta-feira, indicando que "é uma forma de atrair turistas", algo que não aconteceria se a região "não tiver um procedimento em consonância com aquilo que é a forma de receber" os seus visitantes.

Albuquerque sustentou que "mais vale gastar o dinheiro nos testes do que em campanhas de milhões e milhões".

Por outro lado, admitiu estar "preocupado" com o aumento dos óbitos devido à Covid-19 na Madeira (107 mortes desde o início da pandemia), reafirmando, porém, que alguns dos casos foram relativos a pessoas não vacinadas e que a maioria morreu devido a comorbilidades associadas.

"Felizmente as pessoas têm ido vacinar-se, já perceberam que se não se vacinarem têm um conjunto de vulnerabilidades mais acentuadas", realçou.

Os mais recentes dados, divulgados na quarta-feira pela Direção Regional de Saúde (DRS), indicam que a Madeira registou mais duas mortes e 73 novos casos, com um total de 767 infeções ativas.

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