Madeira não tem mortes ligadas à Covid-19. O que marca o combate insular?

Diretor regional de Saúde do arquipélago quer uma política europeia que defina que os testes a viajantes são feitos na origem.

A Madeira continua a ser uma ilha nacional no meio da pandemia de Covid-19: até hoje, não registou qualquer morte causada pela doença. A maioria das infeções são importadas e só esta quarta-feira é que foi registada a primeira infeção de um profissional de saúde, que testou positivo à chegada ao aeroporto do Funchal.

Mas, o que é que a Madeira tem? O diretor regional de Saúde garante que o sucesso madeirense não é um milagre nem um acaso, mas sim o resultado de medidas duras e tomadas com antecedência, como o uso obrigatório de máscara, desde agosto, a partir dos seis anos de idade.

O truque, explica Herberto de Jesus, foi tentar andar sempre um passo à frente da pandemia: "As nossas medidas foram drásticas e draconianas para depois permitirem uma abertura mais cedo."

Em fevereiro, recorda o diretor regional, a Madeira já tinha um plano de contingência e, em março, não se limitava a testar os grupos vulneráveis, como os utentes de lares.

"Nós decretamos a restrição de mobilidade dos profissionais de saúde do setor social entre o sistema público e o privado." Ou seja, quem trabalha no público, fica no público, e o mesmo aplica-se ao privado. "Isto fazia com que não houvesse transmissão viral e foi, provavelmente, um dos motivos que fez com que o vírus não entrasse nos lares." E, sem vírus, não há surtos.

Herberto de Jesus definiu também as regras para os espaços públicos fechados, com cada entidade a adaptar-se depois. Um dos exemplos é o do Parlamento Regional, onde ainda hoje só trabalham metade dos deputados de cada vez.

"O exemplo tem de ser dado por quem nos governa e por quem representa o povo", assinala o responsável pela Saúde.

Bastou um caso de infeção, registado ainda em março, para a Madeira fechar-se ao exterior. Até hoje, a maior parte dos casos positivos ainda chega de fora.

Cerca de "50% dos casos são testados à entrada na região", mas Herberto de Jesus nota que "se as pessoas fossem testadas na origem, nem sequer viajavam".

"Ao viajarem põem em risco a situação da aeronave e dos aeroportos. O que falha, e pelo qual lutamos há muito tempo, é que o teste devia ser feito na origem, porque evitava que os inconclusivos e os positivos viajassem", argumenta o responsável, apelando a uma "estratégia europeia".

Mas nem só do ar vem o perigo. O controlo nas marinas e no aeroporto é uma tentativa de barrar a entrada ao vírus e o uso obrigatório de máscara, também na rua, é uma espécie de vacina contra os contágios por proximidade.

"É o que chamamos de nossa vacina. Não há outra hipótese, nós temos de ser, daqui para a frente, os agentes de saúde pública", alerta Herberto de Jesus, que diz não ser realista esperar que "o sistema de saúde responda a tudo".

Fica o alerta da Madeira, que já vai olhando para o futuro: com o aumento exponencial de casos, dificilmente continuará a ser uma ilha em termos de vítimas mortais da Covid-19.

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