Mais corrupto. Portugal cai dois lugares na tabela mundial da transparência

Mais corrupto e menos transparente do que em 2018: é esta a imagem de Portugal junto dos observadores internacionais. O Índice de Perceção da Corrupção revela que o país desceu para 62 pontos, em 2019.

O Índice de Perceção da Corrupção de 2019, publicado esta manhã pela Transparency International, revela que Portugal desceu dois lugares, em relação a 2018, naquela que é a mais antiga e abrangente ferramenta de medição da corrupção no mundo. Numa escala que varia entre zero (muito corrupto) e 100 (muito transparente), Portugal está agora no lugar 62, menos duas posições do que há dois anos.

A queda deixa o país abaixo da média da Europa ocidental (66) e da média da União Europeia (64). Até Espanha, que nos últimos anos caiu abaixo da pontuação portuguesa devido a escândalos de corrupção com a família real e financiamento político, iniciou uma recuperação que a recolocou a par de Portugal, com os mesmos 62 pontos.

Dinamarca e Nova Zelândia partilham o topo da tabela de 2019, com 87 pontos, seguidas da Finlândia, com 86. Os resultados demonstram que os países melhor classificados têm políticas de transparência proativas, principalmente no que se refere ao financiamento político, à regulação do lóbi, a conflitos de interesses e a mecanismos eficientes de consulta pública.

A descida de Portugal não surpreende a Associação Transparência e Integridade. O presidente da associação cívica, João Paulo Batalha, nota que "desde 2012 Portugal não fez progressos, está constantemente abaixo da média europeia".

"Isto significa que o país está estagnado, não há vontade de combater a corrupção, não há políticas em curso no terreno e, por isso, estamos constantemente atrasados em relação à Europa", afirma.

Depois de ter entregado na Assembleia da Republica, no mês passado, uma petição por uma Estratégia Nacional Contra a Corrupção (subscrita por mais de 8.500 pessoas), a Associação diz que é urgente debater o assunto no Parlamento.

João Paulo Batalha considera que o sistema político e a cultura de poder em Portugal têm o hábito de concentrar decisões em poucas mãos. "Não gostam de prestar contas, não respondem perante os cidadãos e, às vezes, nem mesmo perante o Parlamento como instituição de controlo. Continuamos a ter uma cultura de poder muitíssimo fechada, pouco escrutinável, que, obviamente, cria condições para má gestão, desvio de dinheiros e, no limite, corrupção", refere.

Desde que foi criado, em 1995, o Índice de Perceção da Corrupção é o principal indicador global de corrupção no setor público de 180 países.

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