Mais de 30 animais resgatados em Valongo estão à guarda de associações

O resgate dos animais ocorreu depois de um incêndio ter consumido dois canis ilegais no concelho de Santo Tirso.

Os 31 cães e gatos que foram resgatados de dois locais de Sobrado, no concelho de Valongo, na segunda-feira à noite estão à guarda de associações de defesa de animais, referiu esta terça-feira à Lusa o veterinário da autarquia.

Em causa estão dois espaços: uma casa abandonada e a residência da proprietária dos canis de Santo Tirso, onde no fim de semana deflagrou um incêndio que vitimou 52 cães e dois gatos.

Na segunda-feira à noite, dezenas de voluntários rodearam as instalações de Valongo, no distrito do Porto, para resgatar animais, tendo sido retirados quer pelos populares, quer pela GNR um total de 15 cães da casa abandonada e quatro cães e 12 gatos da residência particular.

"No primeiro caso [casa abandonada], os animais estavam maltratados, com falta de alimentação e de água, uma cadela estava grávida, e existiam animais no meio de fezes. No segundo, na casa da senhora, não estavam maltratados, embora faltassem as vacinas e existisse sujidade", descreveu à agência Lusa o veterinário da câmara de Valongo, Fernando Rodrigues.

O resgate destes animais ocorreu depois de no fim de semana um incêndio ter consumido dois canis ilegais no concelho de Santo Tirso.

Na noite de segunda-feira, enquanto decorria uma vigília junto à câmara de Santo Tirso, em Valongo, bem como em Paredes, alegadamente num canil ilegal, dezenas de pessoas juntaram-se para retirar os animais por acreditarem que estas instalações pertencem a familiares das proprietárias dos canis de Santo Tirso, que serão alvo de inquérito do Ministério Público, revelou à Lusa a Procuradoria-Geral da República.

De acordo com Fernando Rodrigues, a situação relativa à casa abandonada localizada em Sobrado não era conhecida da autarquia porque estava "dissimulada".

"Nem os próprios moradores se aperceberam. Estava tudo completamente escondido", referiu o técnico.

Já relativamente à casa da proprietária dos canis, Fernando Rodrigues admitiu que "a câmara já fez fiscalizações há alguns anos" e foi chamada ao local devido a denúncias e queixas de barulho.

"E tudo cumpria a lei naturalmente. A senhora repunha a situação, limpava e a realidade é que na casa dela não há registo de maus-tratos. Lá ela teria os animais que considerava de companhia. Mas o alertas que deixo é para o futuro. Ontem [segunda-feira] a senhora perguntou-me: 'e agora quando posso voltar a ter animais?'. Esta é uma questão psicológica ou judicial. É necessário acompanhamento. O meu medo é que daqui a uns anos a situação se repita", relatou à Lusa o veterinário.

Quanto à distribuição dos animais resgatados, o responsável da câmara acrescentou que foi feito um levantamento e identificação pela GNR e pelos serviços camarários, e que todos foram encaminhados para associações do setor.

Na segunda-feira, o ministro da Administração Interna determinou a abertura de um inquérito à atuação da GNR e da Proteção Civil no incêndio que atingiu no sábado dois canis ilegais no concelho de Santo Tirso.

Eduardo Cabrita determinou à inspetora-geral da Administração Interna, Anabela Cabral Ferreira, a abertura de um inquérito "aos factos reportados, visando apurar eventuais responsabilidades".

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