Mais de 50 farmacêuticos dos hospitais de Coimbra entregam esta terça-feira escusa de responsabilidade

Em causa está a falta de pessoal, o que tem provocado uma sobrecarga de trabalho.

Cerca de 50 a 55 farmacêuticos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) vão esta terça-feira entregar pedido de escusa de responsabilidades, face à sobrecarga do trabalho, afirmou fonte sindical.

Farmacêuticos do CHUC vão esta terça-feira apresentar o pedido de escusa de responsabilidades junto da administração daquele hospital por estarem "sistematicamente sobrecarregados", disse à agência Lusa o presidente do Sindicato Nacional dos Farmacêuticos (SNF), Henrique Reguengo.

"Com o aumento das exigências que a profissão tem tido ao longo dos últimos anos e com a saída de colegas que se vão reformando, os que ficam estão numa situação de sobrecarga tal que têm receio de cometer erros profissionais", salientou o dirigente sindical.

De acordo com Henrique Reguengo, "há muito tempo que não se dá atenção àquilo que é a atividade farmacêutica no SNS [Serviço Nacional de Saúde]", estando os mapas de pessoal desatualizados face às necessidades dos hospitais.

Para o presidente do sindicato, os farmacêuticos do CHUC têm receio que, face ao cansaço e sobrecarga, possam ser cometidos erros "que não deviam acontecer, sobretudo numa área tão sensível como é a terapêutica".

"Estão a chamar a atenção das direções das instituições e do poder político para esta situação e a tentarem proteger-se de algum erro que eventualmente possam vir a cometer por não terem condições adequadas para exercerem as suas funções", sublinhou.

Segundo Henrique Reguengo, já houve situações semelhantes no Centro Hospitalar e Universitário do Porto e no IPO do Porto.

"Não é o sindicato que anda a estimular a revolta dos colegas. É exatamente o contrário. Os colegas sentem que precisam de ser protegidos e que precisam de fazer alguma coisa que mude esta situação, para que a área tenha a atenção que necessita", frisou.

Na ótica do dirigente sindical, a sobrecarga, que já acontece num período normal de trabalho, tenderá a agravar-se "em período de férias".

"Não é fácil de aguentar", assegurou.

"Estado grave que resulta de um acumular de situações", afirma bastonário

Hélder Mota Filipe, bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, diz que nestas três unidades hospitalares, o pedido de escusa de responsabilidade tem sido apresentado pela maioria dos profissionais. Para o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos é sinal do estado de exaustão em que se encontram.

"Isto resulta da degradação das condições dos serviços farmacêuticos hospitalares nos hospitais do SNS. É uma situação que já tem bastante tempo e que tem vindo a agudizar-se e que faz com que os colegas tomem esta atitude extrema de preencher uma declaração de escusa de responsabilidade, que é aquilo que nenhum profissional deseja fazer durante a sua carreira", afirma, em declarações à TSF.

Hélder Mota Filipe diz que os serviços farmacêuticos dos hospitais interferem de forma transversal com o funcionamento desta unidades, por isso, pode estar aberto o caminho a algumas falhas.

"Para se fazer assistência hospitalar nos diferentes serviços de um hospital é preciso terapêutica, medicamentos e toda a garantia do acesso aos medicamentos e também em muitas decisões sobre a melhor utilização dos medicamentos os farmacêuticos hospitalares estão envolvidos. Como é facilmente percetível, não havendo a garantia adequada do acesso e da boa utilização dos medicamentos num hospital, a assistência hospitalar é posta em causa. Estamos a falar de uma situação que, quando se agudiza, afeta de forma sistemática um hospital", explica.

O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos diz que a falta de recursos humanos deve-se à carreira farmacêutica, cujo acesso está blindado pela lei, ao exigir um internato de quatro anos para se ter acesso a estas funções. O panorama, afirma Hélder Mota Filipe, é pouco saudável.

"Em termos gerais, é um estado grave que resulta de um acumular de situações que se têm vindo a somar e que não têm sido resolvidas, nomeadamente as relacionadas com os recursos humanos. Temos vindo, como é normal em qualquer situação profissional, a presenciar saídas por reforma ou por optarem por outras funções profissionais fora do SNS, e a verdade é que não há um mecanismo célere e competente de reposição desses recursos humanos", finaliza.

* Notícia atualizada às 12h50

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