Mais pedidos de ajuda. Bastonário dos psicólogos admite que "não vai ficar tudo bem"

O bastonário dos psicólogos espera que os alertas que têm sido feitos sirvam para "acautelar medidas de compensação".

Os quase 12 meses que passaram desde o início da pandemia mostraram que não vamos ficar todos bem e o bastonário da ordem dos psicólogos, à conversa com a jornalista Helena Vieira, confirma que mais pessoas estão a pedir a pedir ajuda. Francisco Miranda Rodrigues regista que até as empresas estão a recorrer a serviços de psicólogos.

A Ordem está também preocupada com as crianças e jovens mais vulneráveis. O encerramento prolongado das escolas com o regresso do ensino à distância, medida que poderá ser confirmada na próxima declaração do estado de emergência, constitui uma preocupação e um desafio. O bastonário Francisco Miranda Rodrigues diz compreender "as razões do Governo para adotar a medida", mas alerta que "o encerramento tem consequências a vários níveis, desde logo na dimensão psicológica, particularmente naqueles que são mais vulneráveis."

O bastonário dos psicólogos espera que os alertas que têm sido feitos sirvam para "acautelar medidas de compensação que garantam que enquanto as escolas estiverem fechadas haverá um mínimo de apoio para reduzir os riscos acrescidos que a situação comporta".

Francisco Miranda Rodrigues confirma, nesta conversa com a TSF, que "há hoje mais psicólogos nas escolas do que havia no início da pandemia, mesmo assim em número insuficiente". Há menos do que um psicólogo por cada mil alunos e cerca de 2,5 psicólogos por cada 100 mil habitantes. "A resposta que já era insuficiente, mesmo nos serviços de especialidade dos centros hospitalares, agravou-se".

O sofrimento de muitas pessoas

O bastonário da Ordem dos Psicólogos não tem dúvidas de que todo este tempo acumulado de pandemia vai ter um impacto psicológico negativo nos adultos mas também nas crianças e jovens.

Francisco Miranda Rodrigues sublinha que, se não forem tratados, "estes impactos deixam um rasto de sofrimento que pode ser muito duradouro e até ficar para a vida, com consequências socioeconómicas para o país".

O bastonário faz questão de sublinhar que "quanto mais tarde se atacar os problemas, maior será o impacto negativo e mais recursos vamos precisar no futuro, para remediar o que agora não conseguimos prevenir".

No início da pandemia muitos ajudaram a espalhar a ideia de que "vamos ficar todos bem".

Hoje, quase um ano depois, o bastonário admite que "não vai ficar tudo bem, nem o que vai ficar bem será para todos. Há efeitos que para algumas pessoas serão difíceis de reverter". No entanto, Francisco Miranda Rodrigues acredita que "apoiando os mais vulneráveis será possível ultrapassar as situações e termos no futuro pessoas com mais saúde, física e psicológica".

Aumentou a procura

O bastonário dos Psicólogos confirma "o aumento crescente da procura por apoio psicológico".

"Muitos dos que encontravam recursos próprios para lidar com a ansiedade precisam agora de ajuda. Com o passar dos meses, as pessoas estão mais cansadas e deixam de ser capazes de fazer a autorregulação das emoções", sustenta.

Até as empresas estão a recorrer mais ao serviço dos psicólogos, conscientes de que " as questões do teletrabalho representam desafios grandes mas também pela necessidade das organizações se adaptarem para serem mais resilientes com outras práticas de liderança".

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