"Mais vale tarde do que nunca." Marcelo diz que homenagem a Salgueiro Maia é "reparação histórica"

"Mais vale tarde do que nunca." É desta forma que Marcelo Rebelo de Sousa vê a homenagem, de Castelo de Vide, a Salgueiro Maia. No dia em que o Presidente da República inaugura o museu que vai acolher o espólio do Capitão de Abril, esteve à conversa com a TSF.

No dia em Salgueiro Maia completaria 77 anos, o herói da Revolução é homenageado na terra que o viu nascer. "É verdade que ele normalmente é associado a todo o país, mas Castelo de Vide é a sua terra, são as suas raízes. É uma homenagem muito justa às raízes e das raízes a alguém que foi um protagonista histórico saliente", afirma Marcelo Rebelo de Sousa, em declarações à TSF.

O Presidente da República, que esta quinta-feira inaugura a Casa da Cidadania Salgueiro Maia, precisamente na casa onde nasceu o Capitão de Abril, entende que, "nesta instituição está presente aquilo que foi o seu testemunho histórico, mas sobretudo projeta no futuro. A ideia é chegar a todos os cidadãos, a todas as gerações, chegar ao futuro. Não ficar preso ao 25 de Abril", embora Marcelo Rebelo de Sousa sublinhe, que, nessa data, "Salgueiro Maia simbolizou o estado de espírito da sociedade portuguesa, no sentido de abrir pistas de democracia, de desenvolvimento e descolonização".

"Poder ficar, naquele que foi o seu berço, uma instituição virada para o futuro é como que um apelo a todos nós." O Presidente lembra que "a democracia tem de se construir todos os dias. Nunca está acabada, nunca está perfeita."

De resto, a conquista da democracia dia após dia é a grande mensagem deixada por Salgueiro Maia, afirma Marcelo. "A democracia nunca está adquirida. Foi o que ele quis dizer, na sua brevíssima vida marcada pela coerência, pela humildade, por não querer honrarias nem poderes, nem importâncias. Marcada por querer apenas servir. Servir a comunidade, servir os outros", conclui o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa entende que, "em Portugal, infelizmente aqueles que merecem, são consagrados postumamente e tardiamente". É o caso de Salgueiro Maia, sustenta o Presidente: "Ele próprio quis apagar-se, nunca quis sobressair. Manteve sempre a sua opinião de forma coerente e nunca escondeu aquilo que pensava sobre a democracia que ajudou a fundar, mas preferiu sempre ser discreto." Uma escolha que, no entender de Marcelo, é uma "reparação histórica" que acarreta um preço: mais vale tarde do que nunca, mas a homenagem chegou muitas décadas depois do 25 de Abril.

O megafone, a farda e as memórias que não ganharam pó

O espaço museológico da Casa da Cidadania Salgueiro Maia, em Castelo de Vide, é inaugurado esta quinta-feira. Construído a partir do espólio doado pelo Capitão de Abril, o museu vai exibir o megafone com que, no Largo do Carmo, em Lisboa, Salgueiro Maia intimou Marcelo Caetano a render-se, mas também farda e o "quico" militar que usou nesse dia, para além de vários documentos e louvores.

Fica assim cumprida a segunda das duas vontades deixadas em testamento pelo Capitão de Abril. A primeira, ser sepultado na terra natal em campa rasa, já tinha sido cumprida há vários anos. A segunda, deixar o seu espólio ao município para que fosse feito um museu, chega agora quase 30 anos depois da sua morte.

O projeto representa um investimento global de três milhões de euros e fica situado no castelo da vila alentejana em que Salgueiro Maia nasceu a 1 de julho de 1944.

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