Máscaras obrigatórias em espaços fechados? Decisão da DGS divide especialistas

No Fórum TSF, o debate centrou-se na decisão da Direção-Geral da Saúde de manter o uso obrigatório de máscara em espaços fechados, nomeadamente nas escolas. A opinião dos especialistas divide-se: Pedro Simas considera que, dada a alta taxa de vacinação em Portugal, "já não faz sentido", Filinto Lima não compreende que nas escolas seja obrigatório usar máscara, enquanto nos bares e discotecas essa medida "já caiu há algum tempo" e Gustavo Tato Borges aplaude a decisão da DGS, visto que a transmissibilidade do vírus ainda é elevada.

A recomendação da Direção-Geral da Saúde (DGS) de manter o uso obrigatório de máscara em espaços fechados, como escolas, centros comerciais e transportes públicos, esteve em debate no Fórum TSF desta segunda-feira. A manutenção da medida foi justificada por existir ainda "uma alta transmissibilidade" da Covid-19, mas a decisão não é, no entanto, consensual entre os especialistas. O virologista Pedro Simas defendeu que há incongruências nesta matéria por parte da DGS.

"As vacinas vieram substituir as máscaras, especialmente em Portugal, que é um dos países do mundo que mais bem preparado está para isso. Temos cerca de 95% da população vacinada e, portanto, já não faz sentido. As crianças e qualquer pessoa é um veículo de transmissão da infeção, se estiver infetada. Isso não há dúvida. Agora, nas escolas, quando há uma regra que diz que durante o recreio não se usa máscaras e nas salas de aula se usa máscaras, o vírus não distingue entre uma coisa e outra e portanto não faz qualquer sentido", disse.

Também o presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas vê algumas contradições na recomendação da DGS. Filinto Lima pediu a Graça Freitas que esclareça algumas das regras.

"Porque é que nas escolas vamos continuar a usar a máscara?", questionou, sublinhando que "nem sequer há opção". "É uma obrigatoriedade dentro dos espaços fechados e, em alguns espaços fechados que conhecemos, como bares e discotecas, essa obrigatoriedade já caiu há algum tempo", notou.

"Disseram-nos e dizem-nos que a vacinação dos nossos filhos, jovens, alunos, professores, era muito importante - e foi -, mas o que é certo é que as regras das escolas em nada foram alteradas, em virtude das indicações que nos chegaram. Acho que a doutora Graça Freitas devia ter a preocupação de, nas suas comunicações, refletir e informar o senso comum destas duas situações", afirmou Filinto Lima.

Diferente é a opinião do presidente dos médicos de saúde pública. Gustavo Tato Borges considera que a ainda alta transmissibilidade do vírus justifica a cautela da DGS.

"Se não estivéssemos a usar máscara, teríamos números bem superiores da incidência de Covid e, pelo efeito que tem, quanto mais pessoas apanharem, mais probabilidades há de apanhar pessoas vulneráveis que fiquem positivas. Teríamos um impacto também superior ao nível dos recursos hospitalares, do uso e ocupação de camas e da mortalidade. Por isso, nós temos nesta ferramenta, neste equipamento de proteção individual, uma arma bastante interessante para continuar este combate", considera.

Relativamente ao uso de máscaras nas escolas, para Gustavo Tato Borges, o terceiro período deve começar com o uso de máscaras, dado que "ainda existem pessoas e crianças que não tiveram [a doença] e outras que podem ser reinfetadas, porque já passou algum tempo desde o pico da onda e poderão continuar a ser transmissores da doença e levar até aos vulneráveis em casa, que é aquilo que não se quer".

A decisão de manter o uso obrigatório de máscara foi tomada na semana passada pela DGS.

Graça Freitas relembrou que os especialistas consideraram "seguro" abandonar o último conjunto de medidas restritivas quando "a mortalidade descesse além dos 20 óbitos por milhão de habitantes a 14 dias".

"Essa é a barreira. Estamos otimistas que à medida que a incidência diminui, isso tenha repercussões na mortalidade", disse, sublinhando que "vamos observar o comportamento da doença nas próximas semanas e logo que possível libertamos a sociedade das últimas medidas restritivas".

"Mas, neste momento, já estamos a fazer uma vida praticamente normal", notou, alertando que, mesmo que não seja obrigatório, a DGS vai continuar a recomendar a máscara nos serviços de saúde e lares de idosos "para proteger os mais vulneráveis".

Apesar de acreditar que o uso de máscara vai deixar de ser obrigatório, a DGS não prevê que a medida de restrição deixe de existir tão cedo como se esperava.

"Não tendo o dom de prever o futuro, se não surgir uma outra linhagem da variante Ómicron a tendência da epidemia é decrescente, mas está em níveis muito elevados. Ainda temos de baixar, como sociedade ainda estamos em níveis epidémicos muito elevados", afirmou Graça Freitas.

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