Matemático sobre pandemia: "Se deixarmos que Rt chegue a 1.2, vamos ter nova vaga"

Os especialistas alertam o Governo para um desconfinamento precoce, sem estarem asseguradas condições para o regresso "à normalidade".

O Parlamento continua a ouvir especialistas sobre a aplicação das medidas de resposta à pandemia. Jorge Buescu, professor do Departamento de Matemática de Ciências Universidade de Lisboa, pede que as medidas de contenção sejam implementadas no tempo certo, e alerta que o país não pode voltar a aproximar-se de um Rt superior a 1.

Perante os deputados, o professor da Universidade de Lisboa mostrou que quando o Rt sobe, a incidência vai subir, o que permite prever o efeito da pandemia. Com recurso a um gráfico que mostra a incidência e o Rt ao longo dos últimos seis meses, Buescu explicou que "a análise do Rt permite-nos saber que vem aí uma onda exponencial com algum avanço".

"Muito rapidamente se perde o controlo", alertou, explicando que existe uma correlação entre o Rt e a incidência da doença.

Jorge Buescu aponta que, quando o Rt chega a 1.2 "já é demasiado tarde para intervir". "Se queremos dominar as ondas, não podemos deixar chegar a esse ponto. É muito difícil fazê-lo descer", disse.

"Quando o Rt se aproxima de 1.2, dentro de 15 dias vamos ter uma nova vaga. No futuro próximo não podemos deixar que isso aconteça", explicou.

O prefessor da Universidade de Lisboa lembrou os deputados que o Rt esteve acima de 1 durante três meses, com medidas que "demoraram cerca de um mês e meio a ter efeito". Buescu assume que o crescimento exponencial de novos casos "não é controlável".

Processo de testagem "deve ser repensado"

João Seixas, professor do departamento de Física do Instituto Superior Técnico, aconselha o Governo e as autoridades de saúde a repesarem o processo de testagem em Portugal. O investigador admite que os recursos humanos são escassos para um rastreamento completo de todos os contactos de risco.

Em relação ao contágio nos transportes públicos, depois da interpelação dos grupos parlamentares, João Seixas garantiu que é impossível fazer uma correlação entre o número de casos e a utilização de transportes.

Sobre o processo de desconfinamento, Carlos Antunes, professor de Engenharia Geoespacial da Universidade de Lisboa, lembrou que o número de internamento nas unidades hospitalares ainda está longe dos números antes do Natal. "Os números de camas pré-Natal nos cuidados intensivos só serão conseguidos a 6 de março", aponta, alertando para a necessidade de o número de internados diminuir para que o país possa desconfinar.

Com quatro classes de risco, Carlos Antunes explicou que o objetivo é dar "uma resposta de precaução para um fenómeno exponencial". "Os níveis muito elevados definem as linhas vermelhas que não podemos ultrapassar", disse.

O professor pediu, igualmente, que as medidas sejam implementadas quando se dá a transição do nível 2 para o 3, e alerta que Portugal só deverá voltar ao segundo nível no final de março. Antes disso, o Governo não deve avançar para o desconfinamento.

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