Maternidade ensina a mães e bebés a arte da amamentação

No mês em que se assinalou a semana Mundial do Aleitamento Materno, a TSF foi até ao Centro Materno Infantil do Norte conhecer as consultas de apoio ao recém-nascido e à amamentação.

No Centro Materno Infantil do Norte (CMIN), são dadas ferramentas para que mães e bebés aprendam a fazer da amamentação um processo simples, positivo e bem-sucedido. Não há imposições, nem julgamentos, a vontade da mãe é sempre respeitada.

Ana Freitas foi mãe há cinco dias. O filho nasceu no Centro Materno Infantil do Norte e agora recorreu ao hospital porque sentia muitas dores quando amamentava. "Tem sido uma aprendizagem diária, cada dia é uma desafio novo que tentamos, com algum apoio, ultrapassar."

Márcia Fernandes é enfermeira e faz parte da equipa de neonatologia e de apoio ao recém-nascido e amamentação. "O facto de podermos providenciar ferramentas que vão facilitar este processo faz com que acontecimentos que podem ser dolorosos para a mãe, e eventualmente a perda de peso para o bebé, sejam evitados. Acaba por facilitar este processo e ajudar os pais a contornar o primeiro período de adaptação que é muito intenso e faz com que tenham melhor qualidade de vida e mais saúde."

A enfermeira conta quais as principais dúvidas e medos das mães que recorrem à maternidade: "A adaptação ao bebé, a adaptação à responsabilidade de ser pai e querer proteger o bebé de tudo, a adaptação física à dor, ao posicionamento, às melhores estratégias para evitar as cólicas, etc."

São três as enfermeiras que prestam este serviço de pediatria. Há uma primeira consulta para conhecer a mãe e o bebé; depois, o acompanhamento é adaptado a cada caso. Márcia Fernandes revela algumas das técnicas para que a amamentação seja bem-sucedida. "O treino da pega é uma das coisas mais importantes para que depois o bebé possa mamar eficientemente e sem magoar a mãe; é preciso posicionar a mãe de determinada forma, e isto é sempre adaptado às características físicas da mãe. Também os cuidados ao recém-nascido, tornar a mãe mais confiante...".

Para Ana Freitas, mãe há cinco dias, este apoio tem sido imprescindível. "Basicamente desde os cuidados na pega, na pega adequada do bebé para não macerar os mamilos, os cuidados de pele, os horários, como estimular para mamar, o retirar da mama... coisas simples mas para as quais são necessários alguns ensinamentos e aqui tem sido essencial para ajudar."

A enfermeira Márcia Fernandes explica que a taxa de sucesso destas consultas é alta, porque há um acompanhamento muito próximo. "O dizer 'não consigo' é muito frequente. É transversal a todas as mães a sensação de querer desistir. O que fazemos é, a cada consulta, reavaliar o caso e se a mãe pode ir mais além. Isto é sempre negociado; se a mãe disser que não quer amamentar também é apoiada neste processo."

O segredo passa por envolver toda a família, que, muitas vezes, é um obstáculo.

"Muitas vezes, os casos de maior resistência são por falta de apoio familiar à amamentação. São mães que vêm muitas mais vezes e durante muito mais tempo. Muitas vezes vêm sozinhas às consultas e somos o único suporte."

Esta consulta de pediatria, que engloba apoio ao recém-nascido e à amamentação, destina-se a todos os bebés que nasceram no Centro Hospitalar do Porto.

Dados da Organização Mundial de Saúde revelam que apenas 20% das crianças em Portugal têm amamentação exclusiva materna nos primeiros seis meses de vida.

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