Médico espanhol atravessa a pé, todos os dias, a fronteira clandestina em Melgaço

A TSF entrevistou o clínico quando este regressava a Espanha.

Napoleón Sánchez, médico cirurgião, residente em Celanova, na Galiza, a 40 quilómetros da fronteira com Portugal, atravessa a pé, de forma clandestina, todos os dias às seis da manhã, uma pequena passagem sobre o rio Trancoso para ir trabalhar na vila de Melgaço. Com a fronteira principal de S. Gregório-Ponte Barxas encerrada devido à pandemia de Covid-19, a estreita travessia metálica, escondida no meio da vegetação e de ruínas de velhos moinhos e casas, na aldeia de Cristóval, é uma escapatória para evitar percursos longos. Por ali passavam noutros tempos contrabandistas e gente que ia a salto para França.

A TSF entrevistou o clínico quando este regressava a Espanha, cerca das 11h00 horas (12h00 horas espanholas), pela velha ponte "dos moinhos do Araújo", como é conhecida pela população. Trazia na mão um saco de pão comprado em Melgaço, como é hábito de muitos galegos. E assumiu, descontraído, que arrisca pelos trilhos do contrabando para poupar "uma hora e meia a mais de percurso". "Venho todos os dias às seis da manhã, desde que fecharam a fronteira. Trago um carro até aqui, atravesso e tenho outro carro do outro lado", descreve, comentando: "Sinto-me praticamente um contrabandista. Voltamos à época antiga".

O médico-cirurgião, que trabalha há 20 anos em Melgaço, considera "ilógico" ter de fazer o percurso de Celanova até à ponte Tui-Valença para atravessar pelo único ponto autorizado de passagem 24 horas. "São mais 60 a 80 quilómetros. Trabalho [de tarde] em Espanha. Tenho de saltar a fronteira", explicou, considerando: "Os trabalhadores transfronteiriços não fazemos nenhum acto ilegal. Em teoria pode haver consequências, mas o que é que vamos fazer?".

Quem também não teme passar "a salto" é o presidente de Junta de Cristóval, David Barbeitos, que critica o encerramento da primeira fronteira no extremo Norte de Portugal. "Aqui as pessoas passam a pé e eu próprio as levo ao sítio onde podem passar. Ajudo-as. Há muita gente que tem de passar para trabalhar", diz.

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