Mentorias GAP - Nenhum aluno fica para trás

Projecto de emergência da Gulbenkian tem o objectivo de recuperar aprendizagens perdidas e é uma parceria entre o Ministério da Educação, a ONG Teach for Portugal e a Sociedade Portuguesa de Matemática.

"A sabedoria é o destino quando se viaja com palavras", nas letras desenhadas a giz o quadro podia ser o mundo todo. Esta é a sala da biblioteca da escola Artur Boal, na Falagueira, Amadora, e hoje, Gustavo, Sueli e Rafael, alunos do 1.º ciclo, sinalizados para o acompanhamento individualizado das mentorias Gulbenkian vão ter mais uma sessão com Maria Alba. A jovem de 23 anos, licenciada em Psicologia, é uma das 70 mentoras GAP espalhadas pelo país.

O projecto de emergência da Gulbenkian, com o objectivo de recuperar aprendizagens perdidas, foi lançado com a colaboração de vários parceiros. O Ministério da Educação sinalizou os alunos e as escolas com mais necessidades, a ONG Teach for Portugal deu a formação aos candidatos, a Sociedade Portuguesa de Matemática colaborou com professores voluntários e o mundo mudou para muitas crianças e jovens do ensino básico e secundário.

Ninguém fica para trás, é esta a estrela que guia o projecto. As regras impostas pela pandemia impediram que o projecto chegasse a todos os alunos, (5000 era o objectivo inicial) mas foram, ainda assim, mais de 2500 os que puderam contar com este apoio nas escolas.

Das aprendizagens dos conteúdos nas disciplinas de Português, Inglês e Matemática, a competências transversais, como a confiança, ou a atenção, o trabalho faz-se construindo a geometria das emoções. Cada criança tem uma história, e todas podem vir a sentar-se na cadeira do pensamento. Até a mentora Maria já precisou de o fazer.

Cinquenta mil jovens até 2027

Perder ou ganhar nunca, aprender sempre. A máxima de Nelson Mandela guia o projecto Gulbenkian Aprendizagens. Pedro Cunha, o director do Programa Conhecimento da Fundação, apesar de ainda não ter a avaliação final do terceiro período, antecipa resultados acima das expectativas. Podem não ter chegado ao número de alunos pretendido, mas o retorno que chegou dos professores e dos pais é a melhor nota que poderiam alcançar: "Ele já faz os trabalhos de casa sozinho, já levanta a mão para falar na sala, já pede para ir ao quadro." Nestes exemplos está a maior conquista do projecto. Por um lado ensinam-se os conteúdos, por outro ganham-se competências de autonomia.

E quanto aos mentores, Pedro Cunha revela uma agenda oculta: seduzir jovens formados em Filosofia, Economia, Matemática, Psicologia, o que for, para a formação de professores, lembra o responsável da Gulbenkian que o futuro depende desta e da próxima geração de docentes. Aos mentores actuais chama-lhes "guardiões da esperança" e, para o futuro, o projecto GAP vai estender-se aos estudantes universitários. Com a ambição de apoiar 50 mil crianças e jovens por ano até 2027.

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