Meses à espera de consultas de psicologia no IST. Estudantes falam em "cultura de sobrevivência"

O presidente da associação de estudantes afirma que a "exigência" está a levar estudantes a recorrer ao gabinete de psicologia. "Chegam a esperar seis meses por uma consulta", acrescenta.

Cansaço, nervosismo ou stress. Estes são alguns dos sintomas que os estudantes do Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, passam enquanto alunos da instituição. Muitos recorrem ao gabinete de psicologia, mas "não conseguem aceder imediatamente" ou, "em situações mais evidentes, têm de esperar seis meses pela primeira consulta". O alerta é dado à TSF pelo presidente da Associação de Estudantes da instituição.

Gonçalo Mamede afirma que tudo é provocado pela falta de psicólogos. "No IST temos cerca de 12 mil estudantes, com um serviço de psicologia (...) que tem cerca de uma dezena de psicólogos ou menos do que isso. Temos à volta de, num cenário muito otimista, um psicólogo por cada mil estudantes", alerta o representante dos estudantes.

"Torna-se uma situação insustentável", alerta Gonçalo Mamede, acrescentando que há "situações de lista de espera enormíssimas e as linhas telefónicas de apoio psicológico, disponibilizadas pela Universidade de Lisboa, tê​​​m vários minutos e horas de espera para atender uma simples chamada".

Exige-se por isso um "reforço das linhas telefónicas de apoio e das equipas de psicologia". Os estudantes pedem também um aumento das verbas destinadas ao ensino superior para resolver este tipo de problemas.

Já na sexta-feira, numa manifestação em frente ao IST, os alunos alertavam que a afluência ao gabinete de psicologia da instituição tem aumento nos últimos tempos. Gonçalo Mamede diz que em muito se deve ao que diz ser uma "cultura de exigência enraizada no Técnico, de sobrevivência", o que leva a situações de "pressão exagerada, de docentes para alunos, de métodos de avaliação demasiado exagerados".

O novo modelo de ensino é, para muitos dos estudantes, um problema adicional no percurso, já que passou a avaliá-los ao longo dos semestres. "Cada semestre ficou partido em duas partes. Agora temos quatro períodos, dois por cada semestre. Depois, em vez de termos o clássico exame final, a ideia é que haja maiores momentos de avaliação durante os semestres. Há também mais testes, mais projetos. Isto leva a que tenha de haver uma dedicação contínua ao longo do semestre", revela Gonçalo Mamede.

Mas este é um modelo que divide opiniões, reflete o presidente da Associação de Estudantes do IST, uma vez que para muitos alunos trouxe "atividades extracurriculares (...) que podem contar para o currículo".

A TSF tentou contactar não só a direção do IST como o Ministério da Ciência e do Ensino Superior, para perceber o que está a ser pensado para resolver a situação, mas até ao momento sem sucesso.

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