Metade dos chefes de equipa da Urgência do Hospital de Braga demitiu-se

"Falta de condições de trabalho" está na origem do despedimento em bloco.

Uma dezena de chefes de equipa de Urgência do Hospital de Braga demitiu-se, esta segunda-feira, em protesto contra a falta de condições de trabalho e o "desinvestimento" no Serviço Nacional de Saúde, anunciou o Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

Contactada pela Lusa, a administração do hospital diz que o Serviço de Urgência "mantém o normal funcionamento", sublinhando que os chefes de equipa que se demitiram representam "cerca de metade do total".

Diz ainda que está "em diálogo" com os chefes de equipa demissionários "por forma a chegar a um consenso célere entre todos os intervenientes".

À TSF, o presidente do Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos defende que a demissão de mais metade dos chefes da urgência de Braga é perfeitamente justificável.

António Araújo diz que a falta de condições de trabalho e de médicos é constante.

"A posição dos médicos reflete o estado de exaustão em que vivem neste momento de uma forma quase permanente, e a falta de condições que lhes são dadas para poderem executar os atos médicos que necessitam em condições humanas", refere.

Com estas demissões, a urgência do hospital de Braga vai continuar aberta, mas com mais limitações. "O hospital vai continuar a funcionar porque os médicos não abandonaram o hospital, a questão é que, muito provavelmente, vai haver maior constrangimento no atendimento dos doentes", disse.

Tal como a Ordem, também o presidente do Sindicato Independente dos Médicos, Roque da Cunha, diz que o problema em Braga é idêntico ao de muitos outros hospitais do país.

Há médicos com mais de 400 horas extra por ano.

Em declarações à Lusa, o secretário-geral do SIM, Jorge Roque da Cunha, manifestou solidariedade para com os demissionários, sublinhando que este é mais um "grito de alerta" para a "escassez" de profissionais e de meios que se regista "um pouco por todos os hospitais públicos do país".

"Quando um especialista que trabalha 40 horas semanais recebe cerca de 1.800 euros líquidos de salário, e quando um especialista que trabalha 35 horas recebe 1.150 euros, é fácil compreender a fuga para o privado", referiu.

Para Jorge Roque da Cunha, os privados "também oferecem outro tipo de equipamento", o que acaba igualmente por funcionar como um "chamariz" para os médicos.

O resultado, acrescenta, é um número "insuficiente" de médicos no Serviço Nacional de Saúde e um "crescente" recurso a empresas de prestação de serviços.

"É fundamental atrair profissionais, não apenas através da correta remuneração, mas também oferecendo condições de trabalho e de progressão e diferenciação profissional. É fundamental tratar bem os médicos e evitar as rescisões que têm ocorrido", refere um comunicado do SIM.

O sindicato exige que a ministra da Saúde "receba os sindicatos e negoceie uma grelha salarial", uma negociação, acrescenta, "que o Governo se comprometeu por escrito a fazer, há oito anos".

"Não adianta o Ministério da Saúde proclamar que tudo está bem, que há muito mais meios. A realidade prevalece em relação à propaganda", diz ainda o sindicato.

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