Metade dos doentes com Covid no Hospital São João foi internada por outro motivo

Dos 72 doentes infetados com Covid-19 internados no maior hospital do Porto, cerca de 50% foram internados por outras razões não relacionadas com o vírus SARS-CoV-2.

O coordenador das Urgências e da Medicina Intensiva do Hospital de São João, no Porto, revela à TSF que "o impacto real dos doentes Covid é menor do que aquele que, à partida, podia parecer olhando cruamente para o número diário [de internamentos]".

"Uma grande percentagem destes doentes está internada por outras coisas: tiveram um acidente e estão internados, ou tiveram uma apendicite e estão internados, por exemplo", explica Nelson Pereira, que adianta que estas infeções são detetadas porque são rastreadas à entrada.

"São doentes internados com Covid e não são internados por Covid", sublinha o médico, que acredita que mais tarde ou mais cedo se vai começar a utilizar "esta nomenclatura" de "com e por".

Nelson Pereira sublinha que, desde o início da pandemia, as enfermarias dedicadas a doentes infetados com o vírus SARS-CoV-2 tiveram doentes que tinham sido internados por outros motivos, mas a proporção era muito menor.

"Sempre aconteceu, de vez em quando um ou outro aparecia positivo, mas neste momento, como estamos com uma transmissão comunitária como nunca tínhamos visto até agora, existe um volume grande de doentes que têm o vírus. Podem não ter manifestações, mas quando são testados o vírus aparece", conta o coordenador das Urgências e da Medicina Intensiva do Hospital de São João, que acredita que o cenário deve ser agora idêntico em todos os hospitais do país.

Quanto à capacidade de resposta do hospital ao aumento de casos de Covid-19, Nelson Pereira revela que não tem havido problemas. O gabinete de crise reúne-se duas vezes por semana, a gestão das enfermarias vai sendo feita consoante as necessidades e previsões.

A maior pressão, conta Nelson Pereira, é nas Urgências, mas isso não tem representado mais internamentos. De resto, o coordenador revela que a redução do tempo de isolamento tem ajudado o hospital a gerir melhor os recursos humanos, numa altura em que o número de infeções entre os profissionais de saúde ronda 1% por semana.

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