Burnout: militares da GNR denunciam falta de apoio psicológico e psiquiátrico

Associação dos Profissionais da Guarda está preocupada e diz que os poucos meios que existem estão concentrados em Lisboa. Uma das propostas dos miliares passa por ter profissionais de saúde mental em todos os comandos territoriais da GNR.

A Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) diz que o apoio à saúde mental dos militares na GNR é insuficiente e lamenta que a maioria dos meios esteja concentrada em Lisboa.

Ouvido pela TSF a propósito da Conferência "Forças de Segurança - do Burnout ao Suicídio", que decorre esta quinta-feira no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, o Presidente da APG/GNR, César Nogueira, dá como exemplo uma simples consulta de psiquiatria: "Está tudo em Lisboa e sempre que um guarda do norte do país marca uma consulta a nível interno, dentro da instituição, tem de ir a Lisboa, ou então liga para uma Linha [telefónica], que existe há alguns anos, mas claro que isso não chega."

No caso da especialidade de psiquiatria as consultas presenciais da GNR são apenas em Lisboa, com exceção dos protocolos externos. A APG/GNR acredita que a solução passa pela presença de profissionais de saúde em todos os comandos territoriais.

"Não estamos a pedir nada que seja exagerado, principalmente para uma força de segurança que todos os dias lida com problemas e para profissionais que andam com uma arma à cintura. Só se lembram [GNR e Governo] das situações quando elas acontecem e quando acontecem já é tarde", sublinha.

Para prevenir casos de burnout e suicídio, a APG/GNR quer que os militares façam reavaliações psicológicas com mais frequência e lembra que há situações limite provocadas pelo excesso de horas de trabalho, falta de condições e natureza da profissão.

César Nogueira lamenta ainda que " a chefia ou o Comando-Geral tentem sempre dizer que as situações de suicídio são por questões pessoais". O responsável pela Associação diz que é preciso fazer um levantamento sério dos casos registados dentro da instituição.

Recorde-se que um estudo publicado há quase dois anos concluiu que a taxa de suicídios na PSP e GNR é quase duas vezes maior do que na população em geral: 137 polícias colocaram termo à vida entre 2000 e 2017.

Além das falhas na GNR, César Nogueira garante que o Plano de Prevenção do Suicídio das Forças de Segurança está a funcionar a meio gás: "Foi reajustado quando houve um grande pico de suicídios e até assinado um protocolo entre os ministérios da Saúde e da Administração Interna, mas não temos conhecimento de que esse protocolo funcione a 100%", refere.

Contactada pela TSF, a GNR diz que tem em andamento "diligências para contratar mais psicólogos e também psiquiatras, não apenas para Lisboa e Porto, mas também para as restantes capitais de distrito, de forma a abranger todo o dispositivo, situação já refletida no Mapa de Pessoal da GNR para o ano de 2020".

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